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Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga

Nitai Gaura Hari Bol

Srimad

Bhagavad

Gita

 

Krishna conduz a quadriga do guerreiro Arjuna, Seu amigo e devoto querido.

 

Srimad

Bhagavad

Gita

"A canção do Senhor Divino"

O Senhor Krishna conduz a quadriga de Seu amigo querido Arjuna

 

para crianças

Sudarshana-chakra

Srila Sridhar Maharaj e Srila Prabhupada
(Srila Bhaktirakshaka Sridhar Dev Maharaj e Srila Bhaktivedanta Swami Pranhupada)

 

 

dedicado a Pedro Arjuna

 

Versão de Glória Regina Jacob de Freitas (Govinda Nandini Devi Dasi)
Baseada nos livros:
"O Bhagavad-gita como Ele é"
de Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada e
"Srimad Bhagavad Gita - O Tesouro Oculto do Doce Absoluto"
de Srila Bhaktirakshaka Sridhara Deva Guru Maharaja.

São Paulo, 21 de janeiro de 2006.

 

Pronúncia:
Bhagavad-gita se pronuncia "bagavá guita".
O som do "g" é como em "guitarra".

 

AUM - OMKARA

 

búzio

Exército Kaurava

Líder:
Rei Duryodhana

Mestre de Armas:
Dronacarya

Heróis:
Bhisma, Karna, Krpacarya, Asvattama, Vikarma, Saumadatti, Jayadhratha

 

Exército Pandava

Líder:
Rei Yudhisthira

Mestre de Armas:
Dhrstadyumna (discípulo de Dronacarya)

Heróis:
Arjuna, Bhima, Satyaki, rei Virata, Drupada, Dhrstaketu, Cekitana, Kasiraja, Purujit, Kuntibhoja, rei Saibya, Yudhamanyu, Uttamauja, Abhimanyu e os filhos de Draupadi

flor de lótus

Sumário

Capítulo 01
Sainya-darsana

Capítulo 02
Sankhya-Yoga

Capítulo 03
Karma-Yoga

Capítulo 04
Jnana-Yoga

Capítulo 05
Karam-Sannyasa-Yoga

Capítulo 06
Dhyana-Yoga

Capítulo 07
Jnana-Vijnana-Yoga

Capítulo 08
Taraka-Brahama-Yoga

Capítulo 09
Raja-Guhya-Yoga

Capítulo 10
Vibhuti-Yoga

Capitulo 11
Visva-Rupa-Darsana-Yoga

Capítulo 12
Bhakti-Yoga

Capítulo 13
Prakrti-Purusa-Viveka-Yoga

Capítulo 14
Gunatraya-Vibhaga-Yoga

Capítulo 15
Purusottama-Yoga

Capítulo 16
Daivasura-Sampad-Vibhaga-Yoga

Capítulo 17
Sraddhatraya-Vibhaga-Yoga

Capítulo 18
Moksa-Yoga

Pequena História do Bhagavad-gita

Samadhi de Srila Rupa Goswami Prabhupada em Vrindavana

Upadesamrta (de Srila Rupa Goswami Prabhupada)
O Néctar da Instrução

Sri Isopanisad

 

Tilaka Vaishnava

 

Capítulo I

SAINYA-DARSANA

Observando os Exércitos

Krishna diz: "Observe, Arjuna, os Kurus que se encontram aí reunidos"...

 

O rei cego Dritarastra como não podia estar presente na batalha de Kuruksetra, onde os exércitos dos Pandavas, seus sobrinhos, e dos Kauravas, seus filhos, lutavam pelo trono, perguntou a Sanjaya o que acontecia na batalha.

Sanjaya tinha grandes poderes místicos, e por isso podia saber o que acontecia lá longe, no campo de batalha; e começou a descrever tudo para o rei Dritarastra.

Sanjaya disse:

Os dois exércitos estão organizados, em posição militar, um diante do outro. Duryodhana, o líder dos Kauravas, está temeroso porque sabe que o seu exército é inadequado para lutar contra o exército dos Pandavas.

Arjuna pede para Krsna situar a quadriga entre os dois exércitos, para que ele possa observar os guerreiros contra os quais deverá lutar. Vendo seus parentes e amigos, presentes no campo de batalha, Arjuna sente-se tomado de tristeza e dominado por grande compaixão, diz:

"Ó Krsna, vendo meus parentes diante de mim ansiosos pela guerra, sinto que estou perdendo a força dos membros do meu corpo e minha boca está seca. Meu corpo inteiro treme e se arrepia. Não tenho mais firmeza para segurar meu arco Gandiva e minha pele queima. Minha mente está confusa. Não vejo nenhum bem em matar meus próprios parentes nesta batalha. Não desejo matá-los mesmo que me queiram tirar a vida. Não teria nenhuma felicidade matando meus parentes e amigos mesmo se ganhasse o reino sobre a Terra. Apesar desses homens terem seus corações dominados pela ambição e não poderem ver o grave pecado de lutar contra amigos e parentes, nós não devemos fazer o mesmo, porque esses atos perversos destruirão nossas dinastias. Prefiro que me matem, a ter que cometer esse pecado".

Depois de falar desse modo, Arjuna põe de lado seu arco e flechas, e em meio ao campo de batalha, senta-se na quadriga com o coração tomado pela lamentação.

 

Sridham Kurukshetra

Figura 1: Arjuna observa os guerreiros contra quem deverá lutar.

 

 

Sanjaya narra os acontecimentos ao rei cego Dritarasthra

Figura 2: Sanjaya conta para Dritarastra tudo o que acontece no campo de batalha

 

 

Capítulo II

Sankhya-Yoga

A Constituição da Alma

Bhakta Hanuman - O Devoto Perfeito e Deus dos guerreiros

 

O Senhor supremo diz:

"Ó Arjuna! Por que essa ilusão tomou conta de você nesse momento? Isso não é apropriado a um nobre. É um obstáculo para alcançar o Céu, e destrói o bom nome e a fama. Ó filho de Kunti, abandone essa covardia, pois ela é indigna de você. Ó grande herói, livre-se dessa fraqueza de coração e levante-se para a luta!".

Arjuna diz:

"Ó Madhusudana, destruidor do inimigo! Como posso atirar flechas em meu avô Bhisma e no mestre de armas Drona, ambos dignos de minha adoração? Melhor viver neste mundo esmolando, que tirar a vida de nossos grandiosos e nobres patriarcas e instrutores. Se matarmo-los viveremos neste mundo com fortuna banhada com o sangue deles. Não compreendo o que seria melhor para nós: a vitória com o sangue de nossos parentes e amigos, ou a derrota vergonhosa. Agora estou confuso. Qual é o meu verdadeiro dever? Imploro que, por favor, diga-me de modo claro, qual o rumo mais benéfico para mim. Eu sou Seu discípulo. Seja bondoso e instrua-me. Não consigo encontrar nada que alivie esta tristeza. Govinda, eu não lutarei".

O Senhor Krsna diz:

"Ó Arjuna, você disse palavras sábias, mas você está se lamentando pelo que não é digno de pesar; pois aquele que é sábio, não se lamenta nem pelos vivos, nem pelos mortos.

Nunca houve um tempo em que não existíssemos, Eu, você ou todos esses reis. Assim como existimos no presente, também já existimos no passado e continuaremos a existir no futuro.

O ser vivo corporificado passa da infância à juventude e à velhice; do mesmo modo, essa alma, ao morrer, consegue outro corpo. O homem sábio não se confunde com essas transformações.

Ó filho de Kunti! As sensações de frio, calor, prazer e dor são temporárias; aparecem e desaparecem, portanto, você deve tolerá-las.

Ó mais nobre entre os homens! A pessoa de inteligência firme que não se perturba diante do prazer e da dor, certamente é qualificada para a liberação.

O corpo é mutável e mortal; a alma é imutável e imortal. Apenas estes corpos físicos podem ser mortos. A alma é eterna, ela nunca nasce e nunca morre, só o corpo está sujeito ao nascimento e à morte. A alma não pode ser perfurada por armas, nem queimada pelo fogo, nem molhada pela água e nem seca pelo ar. Portanto, sabendo que a alma é assim, você não deve mais lamentar.

Ó melhor dos guerreiros! Mesmo para o corpo perecível, a morte é certa, portanto você não deve se lamentar pelo inevitável.

Além disso, como kshatriya, seu dever natural é combater pela justiça religiosa. Se você se recusar a lutar nesta guerra religiosa, a fama o abandonará e o pecado dominará você.

Você será ridicularizado por aqueles guerreiros grandiosos que lhe concederam honra superior, pois considerarão que você teve medo de lutar. Com palavras insultuosas, seus inimigos farão pouco caso de suas habilidades. E o que poderia ser mais vergonhoso?

Ó Kaunteya, se morrer, você irá para o céu; e, se for vitorioso, você desfrutará da Terra. Portanto, levante-se para a batalha confiante no sucesso. Percebendo que o prazer e a dor, o ganho e a perda, a vitória e a derrota são iguais, lute. O pecado não o afetará.

Até agora Eu lhe falei sobre Sankhya-yoga, o conhecimento sobre a realidade. Agora vou lhe falar sobre bhakti-yoga, conhecimento do serviço devocional. Ocupando sua inteligência em devoção, você será capaz de cortar por completo o cativeiro deste mundo. A prática mais insignificante do serviço devocional salva a pessoa do medo dos repetidos nascimentos e mortes neste mundo. A inteligência ocupada em exclusiva devoção a Mim é firme, porém a inteligência daqueles que evitam a devoção exclusiva a Mim, está dividida entre intermináveis desejos.

O objetivo das escrituras sagradas é de atingir a Suprema Verdade, as pessoas que não conseguem entender isso, buscam a fortuna, satisfação dos sentidos, nascimento nobre, ocupando-se em conhecimento e adoração aos semideuses com objetivo de desfrutar de coisas mundanas. Esses tolos não conseguem entender o real objetivo das escrituras sagradas. Por isso, Arjuna, viva na companhia dos Meus devotos eternos e abandone qualquer busca por coisas materiais e ocupe-se exclusivamente no caminho da devoção conforme a orientação das escrituras.

Agora falarei sobre Karma-yoga: você tem o direito de executar seu dever prescrito mas não deve se apegar ao resultado e também não deve deixar de fazer seus deveres. Yoga é permanecer equilibrado diante do sucesso ou do fracasso resultante do seu trabalho. Aqueles que anseiam pelos frutos de suas ações, são mesquinhos, estando cheios de desejos, arruínam-se."

Arjuna pergunta:

"Ó Kesava! Quais os sintomas das pessoas que permanecem concentradas em meditação?"

O Senhor Supremo diz:

"Ó Partha! Aquele que abandonou os desejos por coisas mundanas e sente alegria e satisfação dentro de seu coração puro, deve ser visto como alguém que corretamente harmonizou sua sabedoria. Aquele que não é perturbado pelas misérias deste mundo, que não se interessa por prazeres mundanos e que está livre de apegos, medo e da ira, é conhecido como um sábio cuja inteligência está corretamente harmonizada. Aquele que não se exalta diante das bênçãos mundanas e não se ressente diante das desgraças materiais certamente tem uma inteligência situada em transe divino. A inteligência harmonizada controla internamente seus sentidos.

Ó filho de Kunti, os sentidos agitados carregam até mesmo a mente de um homem que aspira à liberação, mas aquele que mantém sua mente fixa em Mim, consegue facilmente dominar seus sentidos. Aquele que tem seus sentidos controlados é verdadeiramente inteligente.

Quando uma pessoa, que não está ocupada em devoção a Mim, contempla objetos, desenvolve apego por eles, daí surge o desejo de possuí-los; quando não satisfaz esse desejo, surge a ira. A ira ilude e faz a pessoa esquecer quem realmente ela é, destruindo a boa inteligência; e quando a inteligência falha, perde-se tudo.

De qualquer modo, um verdadeiro devoto no caminho da renúncia em devoção, age exclusivamente para Minha satisfação transcendental. Abandonando o apego e a inveja, mantendo os sentidos sob controle, ele obtém plena satisfação no coração.

Todas as misérias desaparecem quando se alcança o contentamento do coração. A inteligência de tal pessoa, logo se concentra inteiramente em sua meta desejada. Portanto, somente por meio de bhakti (devoção) tranqüiliza-se o coração. Com os sentidos descontrolados, a pessoa não tem poder de discriminação e seus pensamentos não têm significado algum. Sem pureza de pensamento, a pessoa não pode atingir a paz, e sem paz mental, como pode alguém pretender obter a verdadeira felicidade?"

 

Krishna e Arjuna sopram seus búzios transcendentais

 

Capítulo III

Karma-Yoga

O Caminho da Ação

 

Arjuna diz:

"Ó Kesava! Se Você considera que a inteligência espiritual firme é melhor do que a ação em bondade e paixão, então por que Você me incita à violenta atividade de guerrear? Minha inteligência confundiu-se com Suas palavras. Por favor, instrua-me sobre qual desses dois caminhos é o mais benéfico para mim: a ação ou o conhecimento."

O Senhor Supremo responde:

"Ninguém pode ficar sem agir, sequer por um momento. Todos agem de acordo com sua natureza material. Tanto os homens ignorantes e apegados ao mundo material, quanto o homem sábio e devotado a Mim, devem trabalhar. A diferença entre eles é que uns trabalham achando que eles são os executores da ação e, portanto, se apegam aos resultados, enquanto que os sábios, sabem que eles são meros instrumentos do Senhor e, portanto, oferecem o resultado do seu trabalho, com devoção, ao Seu Senhor Supremo. O rei Janaka e outras personalidades sábias atingiram a perfeição na devoção, pela execução de seus deveres prescritos. Assim, é apropriado que você execute seu dever para instruir as massas. As pessoas geralmente imitam o exemplo dos grandes homens.

Ó Arjuna! Eu, o Senhor Supremo, não tenho dever algum nos três mundos, entretanto Eu pessoalmente ajo. Se Eu deixasse de agir, então, toda a humanidade, seguindo Meu exemplo, abandonaria seus deveres e desse modo se arruinariam, criando desordem na sociedade e uma população sem virtudes.

Entregue todas as suas atividades a Mim, com a compreensão de que "Todas as minhas ações estão sob o controle do Senhor Supremo dentro de mim". Com tal consciência, livre-se de todo sentido de posse e lamentação, e recorra à batalha, sendo este seu dever natural, já que você é um kshatriya.

É melhor executar o próprio dever, mesmo que com alguma imperfeição, do que desempenhar com perfeição os deveres de outrem. Saiba que até mesmo a morte é auspiciosa durante a execução dos deveres apropriados à sua posição natural, pois seguir o caminho de outrem é perigoso".

Arjuna pergunta:

"Ó descendente dos Vrsnis! Quem impele o ser vivente a cometer atividades pecaminosas, mesmo contra sua própria vontade?"

O Senhor Supremo responde:

"O desejo de prazer transforma-se em ira quando não é satisfeito. Este desejo se chama luxúria e é causada pela ignorância. Ela é a inimiga perpétua dos sábios, porque ela nunca se satisfaz e cobre a discriminação e o bom-senso. É dito que a luxúria se refugia nos sentidos, mente e inteligência iludindo o ser vivo através desses canais, levando-o para o fundo do materialismo. Portanto, ó Arjuna, controlando seus sentidos, dê um golpe mortal nessa luxúria."

Krishna instrui Seu querido amigo e devoto Arjuna

 

Capítulo IV

Jnana-Yoga

O Caminho do Conhecimento Divino

 

O Senhor supremo diz:

"Antes, Eu revelei ao deus do Sol, Surya, este conhecimento. Surya passou esse conhecimento para seu filho Vaivasvata Manu, que transmitiu o conhecimento a seu filho Iksvaku. Foi através dessa sucessão divina que os reis santos aprenderam este conhecimento. Atualmente essa sucessão quase que se perdeu. Agora, por você ser Meu devoto e amigo, vou revelar esse conhecimento supremo a você"

Arjuna diz:

"Vivasvan, o deus-sol, viveu em tempos remotos, como você poderia ter passado o conhecimento para ele?"

O Senhor Supremo diz:

"Tanto eu quanto você, ó Arjuna, já tivemos muitos nascimentos. Só que Eu, sendo o supremo controlador, posso me lembrar de todos eles e você não.

Toda vez que há uma queda da religião e um avanço da irreligião, Eu pessoalmente, apareço como um ser nascido neste mundo, para libertar os santos devotos, conquistar os pecadores e estabelecer com firmeza a verdadeira religião. Ó Arjuna! Aquele que percebe que Meus nascimentos e atividades não têm a ver com as leis da natureza material e que acontecem apenas pelo Meu doce desejo, não volta a nascer e Me alcança após abandonar seu corpo atual.

Livres da paixão mundana, do medo e da ira, muitas pessoas refugiaram-se em Mim, envolvidas de coração em ouvir sobre Mim, cantar Minhas glórias divinas e lembrar-se de Mim. Purificando-se por conhecer a Meu respeito e pelas penitências em Meu favor, elas obtiveram amor divino por Mim.

Eu sou o objetivo a ser alcançado por todos. Além de Mim, não existe nenhum outro criador no mundo inteiro. Aquele que compreende que apesar de ser o Criador, eu permaneço independente da criação, nunca é preso por nenhuma ação e ao praticar serviço devocional puro, certamente vem a Mim.

Você deveria adotar este caminho da ação sem apego ao resultado, como tem sido feito por vários sábios desde tempos imemoráveis. A execução dos deveres é conhecida como ação, a execução das ações proibidas é o pecado, e não executar a ação é inação.

O homem de conhecimento puro que não se apega ao resultado de sua ação, oferecendo a Mim, não fica preso à teia do Karma; ao passo que aquele, que externamente renuncia às coisas, mas em seu coração impuro continua apegado a elas, prende-se mais e mais ao karma.

O único trabalho que não prende a pessoa a este mundo material é aquele executado com o coração limpo, oferecendo-se todo o resultado ao Senhor Supremo.

Diversos tipos de pessoas fazem sacrifícios e austeridades para avançarem materialmente; mas todo o sacrifício e austeridade oferecidos com devoção e conhecimento a Mim, libertam a alma do cativeiro material.

Portanto, ó Arjuna, armado com a espada do conhecimento divino, estraçalhe todas essas dúvidas em seu coração, que nascem apenas da ignorância, e levante-se para a batalha."

Sridham Kurukshetra

 

Capítulo V

Karma-Sannyasa-Yoga

O Caminho da Harmonia Divina

 

Arjuna diz:

"Ó Krsna! Qual dos dois caminhos é mais benéfico para mim: A renúncia da ação ou a ação sem apego?"

O Senhor supremo diz:

" Entre os dois, a ação sem apego é superior. Aquele que está livre da atração e da aversão e nem deseja nem rejeita os frutos da ação, permanece um renunciante mesmo se ocupado em atividades. Tal pessoa facilmente atinge a liberação do apego mundano. Igual uma flor de lótus que não se molha apesar de estar dentro da água, aquele que está desapegado oferece todas as suas ações ao Senhor Supremo sem ser afetado pelas reações boas ou más.

Renunciando mentalmente a todos os frutos de suas ações, a alma que mantém seus sentidos controlados reside feliz dentro da morada corpórea de nove portões. O verdadeiro conhecimento é o que diz respeito a nossa verdadeira natureza e nossa relação com o Senhor Supremo.

Devido estarmos encobertos pelo corpo material, esquecemo-nos que somos partes e parcelas do Senhor Supremo e nos iludimos, acreditando que somos esses corpos. As almas inteligentes percebem a centelha espiritual dentro de todos os seres vivos: no homem sábio, no humilde e nos animais. Aqueles cujas mentes são equilibradas e tratam com respeito e igualdade todos os seres vivos, mesmo estando neste mundo, já alcançaram a transcendência e com sua inteligência fixa não se engana e nem se ilude com o corpo. Ela entende perfeitamente a Minha natureza divina como controlador e proprietário Supremo e como Seu mais adorável amigo e bem-querente."

 

Srimad Bhagavad-gita

 

Capítulo VI

Dhyana-Yoga

O Caminho da Meditação

 

O Senhor Supremo diz:

"Saiba que não se pode ser aceito como sannyasi(aquele que trilha o caminho do conhecimento) nem como iogue(aquele que trilha o caminho da meditação mística) se não tiver renúncia ao resultado de sua ação. Só depois que conseguir conquistar seus sentidos, mente e fixar sua inteligência renunciando todos os planos da ação, é que ele poderá atingir a verdadeira ioga.

Para aquele que conquistou a mente, ela é sua amiga; para quem for incapaz de controlá-la, ela é sua inimiga.

Aquele que está sempre satisfeito em seu íntimo, que está sempre situado na consciência divina, que tem os sentidos controlados e vê com igualdade um fragmento de terra, de pedra ou de ouro, é conhecido como sendo um iogue qualificado para a auto-realização. E mais avançado é o iogue capaz de observar com inteligência equilibrada todos os seres viventes: seja um afetuoso bem-querente, um inimigo, uma pessoa indiferente, um mediador, alguém detestável, um amigo, um santo ou um pecador.

O principiante na prática da ioga deve sempre residir sozinho e em local isolado. Num lugar puro, nem muito alto nem muito baixo, deve fazer um assento seguro com palha kusa, pele de veado e um pano. Então, sentando-se aí, controlando sua mente e fixando-a em um ponto, deve praticar meditação a fim de purificar seu coração.

Mantendo seu corpo, cabeça e pescoço eretos, o iogue deve fixar seu olhar na ponta do seu nariz, sem olhar em nenhuma outra direção. Tranqüilo, destemido e seguro no voto de celibato, a pessoa deve meditar em Minha forma Visnu de quatro braços. Dessa maneira, concentrando sua mente na ioga da meditação, o iogue cujo coração foi purificado dos desejos mundanos, atinge o Brahman, que é a refulgência do Meu corpo, libertando-se da existência material.

A prática de ioga é impossível para qualquer pessoa que coma demais ou coma muito pouco, durma demais ou não durma o suficiente. Para quem se alimenta, repousa e esforça-se de modo regulado e que mantém horários regulados, a prática da ioga torna-se gradualmente a fonte que dissipa todo sofrimento mundano.

Da mesma forma que uma vela colocada num lugar sem vento não tremula, a mente do iogue concentrado no Senhor Supremo se mantém firme. Tendo percebido a Superalma por meio de seu coração purificado, ele experimenta a felicidade eterna, que nada tem a ver com as coisas mundanas.

Com seu coração unido ao Senhor Supremo, ele percebe a Alma Suprema existindo dentro de todos.

Jamais Sou invisível para aquele que Me vê em tudo e quem vê a Minha energia em toda criação. Ele jamais Me esquece e Eu nunca o abandono."

Arjuna diz:

" Ó Krsna ! Por causa da mente instável não consigo alcançar esse estado de equilíbrio que Você descreveu. Para mim é muito difícil controlar a mente."

O Senhor Supremo diz:

" A mente é muito difícil de se controlar, mas se você praticar com dedicação a meditação que Eu descrevi, você será bem sucedido."

Arjuna diz:

" O que acontece para quem fracassa na prática da meditação?"

O Senhor supremo diz:

"O iogue fracassado não sofrerá ruína nesta vida, nem na outra. Como ele executou ações virtuosas, ele nunca será abandonado. Após morar por muitos anos nos planetas celestiais, ele nasce num lar de pessoas honradas e ricas, dedicadas a uma vida pura e honesta.

Por outro lado, se ele desiste da sua prática de meditação, ele nascerá num lar de professores de ioga e assim ele pode novamente esforçar-se na prática da meditação para ver a Superalma.

Esforçando-se após muitas vidas de prática de ioga, ele alcança a meta Suprema.

O iogue que medita na Superalma é superior aquelas pessoas que praticam austeridades, superior aqueles que adoram os semideuses e superior aqueles que trabalham apegados aos resultados. Mas, mais elevado que o iogue que medita na Superalma, é o devoto que ouve e canta sobre Mim, prestando-Me serviço com devoção."

O sábio Paramahamsa vê todos os seres igualmente, e o Senhor dentro do coração de todos os seres...

Figura 3: Um sábio vê o Senhor Supremo dentro do coração de todas as entidades vivas

 

 

 

Capítulo VII

Jnana-vijnana-yoga

As concepções Absoluta e Relativa do Supremo

 

O Senhor diz:

"Ó Arjuna! Agora Eu vou explicar como você pode alcançar a Minha morada e descreverei Minhas opulências. Nesse universo há incontáveis almas; algumas delas conseguiram a forma humana. Alguns dos seres humanos esforçam-se para perceber a alma e a Superalma, entre eles, poucos conseguem perceber a Minha Pessoa.

A Minha energia deste mundo divide-se em : terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência e falso ego. Essa energia é inferior. Acima dela existe a energia marginal que são as almas. O mundo material vem da Minha energia externa e o mundo espiritual vem da Minha energia interna.

As almas são minha energia intermediária porque podem decidir viver no plano material ou no plano espiritual.

Eu sou a causa do mundo inteiro e também de sua destruição. Nada é superior a Mim. Eu estou presente em toda a criação: Eu sou o sabor da água, sou o brilho do Sol e da lua, sou a vibração OM, sou a fragrância da terra e o resplendor do fogo. Sou a duração de vida de todos os seres vivos, sou a inteligência dos inteligentes e o heroísmo do valente. No poderoso eu sou a força sem interesse egoísta e sem apego mundano,Eu sou a união sexual de acordo com os princípios religiosos.

Eu sou superior a toda esta Criação e por isso ninguém pode entender-Me, pois o mundo inteiro está iludido pela natureza que tem três modos materiais: bondade, paixão e ignorância.

Entretanto aqueles que se rendem a Mim podem atravessar essa ilusão facilmente. Há quatro tipos de pessoas que não se rendem à Mim: aquelas que trabalham apegadas aos resultados e que desejam satisfazer sua mente e sentidos como os animais; aquelas que consideram o caminho da devoção sem valor; aquelas que consideram que a forma de Krsna ou a de Rama são humanas; aquelas que consideram que o Senhor Supremo é só uma energia e não tem forma. Há quatro tipos de pessoas que Me adoram: o aflito; aquela que busca conhecimento superior; aquele que busca uma vida melhor neste e em outros planetas; aquele que entende que é a alma e tem o coração puro.

Destes quatro tipos,o melhor de todos é a alma iluminada e devotada a Mim. Eu sou muito querido para esse sábio e ele também é muito querido para Mim. Amo muito todas essas pessoas, pois seus corações estão livres do egoísmo e do desejo por prazeres sensuais e fizeram de Mim a meta suprema de suas vidas.

Após muitos nascimentos, a pessoa que alcança a associação de um devoto puro por fim compreende que o universo inteiro faz parte da Minha natureza divina, e finalmente ela se rende a Mim. Esta alma é muito rara.

Aquelas pessoas que adoram os semideuses para conseguirem benefícios materiais conseguem o que querem com minha permissão, já que eu sou a Superalma dentro do coração delas e no coração dos semideuses. Os adoradores dos semideuses alcançam seus respectivos semideuses, e os Meus devotos Me alcançam.

Eu não Me manifesto a qualquer um, só o Meu devoto de coração puro Me conhece realmente, e mantendo seus corações absortos em Mim, até mesmo diante da temível morte, eles não Me esquecem."

 

 

Capítulo VIII

Taraka-brahma-yoga

O caminho da Liberdade Absoluta

 

Arjuna perguntou:

"O que é Brahman e o que é alma?

O que é karma? Quem preside o nosso universo?

Como podemos conhecer Você na hora da morte?"

O Senhor Supremo responde:

"O Brahman é um dos aspectos do Senhor Absoluto, é a energia que mantém tudo. A alma espiritual é a verdadeira personalidade do ser vivo. A palavra karma, significa que você deve agir de maneira correta, executando seus deveres para a satisfação de certos semideuses, que produzem os corpos dos seres vivos.

Os semideuses, juntos e encabeçados pelos deuses solares, administram o universo e somente Eu devo ser conhecido como o Senhor de todo sacrifício, a Superalma situada dentro dos corpos de todos seres vivos.

Aquele que, ao deixar o corpo, permanece pensando em Mim no momento da morte, parte deste mundo e certamente alcança Minha natureza espiritual.

No momento em que deixa o corpo, a pessoa alcança qualquer objetivo em que medite. Portanto, lembre-se de Mim o tempo todo e realize seu dever natural de ocupar-se na batalha. Ao dedicar sua mente e inteligência a Mim e ao satisfazer seu dever, você alcançará Meu refúgio.

Controlando seus sentidos, mantendo a mente fixa dentro do coração e a força do ar vital entre as sobrancelhas, concentrando-se na alma enquanto vibra o som OM, que é o Senhor Supremo na forma de som, aquele que sempre se lembra de Mim ao abandonar seu corpo vem residir em Minha morada sagrada.

Os grandes devotos que alcançam participar em Meus passatempos divinos, jamais voltam a nascer neste mundo material. Todos desde Brahma até o mais insignificante ser deste planeta, estão sujeitos a repetidos nascimentos e mortes. Mas aquele que Me alcança, está livre do ciclo de nascimentos e mortes.

Um dia do Senhor Brahma dura 4.320.000 anos e sua noite tem a mesma duração. Ao chegar o dia, quando o Senhor Brahma se levanta de seu sono, os planetas com todos os seus seres móveis e imóveis são criados; ao anoitecer, tudo é aniquilado. Todas essas formas de vida nascem ao amanhecer do dia do Senhor Brahma e são dissolvidas ao anoitecer, para novamente nascerem ao amanhecer de um novo dia, isso acontece continuamente.

Mas aquele que alcança Minha morada não mais retorna a este mundo material. Mas só através da devoção pura alguém pode alcançar a Minha morada.

Os seguidores do conhecimento Absoluto ao morrerem numa hora do dia iluminada pelo fogo, pelo sol e pelos elementos associados, na quinzena da lua cheia e durante os seis meses em que o sol passa pelo hemisfério norte, eles alcançam o Absoluto (Brahman).

O trabalhador fruitivo, ao morrer numa noite escura da quinzena da lua nova, durante os seis meses em que o sol passa pelo hemisfério sul, ele alcança os planetas celestiais e depois de algum tempo recebendo o resultado de suas boas ações, volta a nascer neste planeta.

Mas aquele que se ocupa na devoção está além deles e ao morrer alcança a Minha morada e nunca mais terá que voltar a este mundo."

 

De Volta ao Lar, de volta ao Supremo...

 

Capítulo IX

Raja-Guhya-Yoga

O Tesouro Oculto

O Senhor Supremo diz:

"Meu querido Arjuna, porque você nunca Me inveja, Eu ensinarei a você esta sabedoria que é a mais secreta. Ao conhecer este tesouro oculto você se livrará das misérias deste mundo material que se opõem à devoção.

Este conhecimento é a suprema sabedoria e o supremo tesouro oculto. É perfeitamente puro, e nos ensina quem nós realmente somos e por isso é a perfeição da religião, ele é eterno e se executa alegremente.

Aquele que não tem fé neste tesouro oculto do sublime amor puro por Mim através do serviço devocional, são incapazes de Me alcançar e permanecem neste plano mortal presos em repetidos nascimentos e mortes.

Através de Minhas energias eu crio e aniquilo todos os universos repetidas vezes, Eu mantenho toda a manifestação cósmica com seus inumeráveis seres móveis e imóveis, Eu penetro em cada átomo, em cada ser e ainda assim, Eu me mantenho desapegado deste mundo.

Os tolos zombam de Mim quando Eu apareço neste mundo material na forma humana. Eles não conhecem Minha natureza transcendental e Meu domínio supremo sobre tudo que existe. Mas as grandes almas com seus corações puros, prestam serviço amoroso a Mim, sabendo que Eu sou a causa de todos os seres. Sempre cantando Minhas glórias, seguindo as regras e regulações para cantar o santo nome e observar os dias santos, tais como ekadasi, prostrando-se diante de Mim, os devotos desejando ansiosamente pelo seu eterno relacionamento coMigo no futuro, adoram-Me no caminho do Meu serviço devocional.

Outros, que se ocupam no cultivo de conhecimento, adoram ao Senhor Supremo sentindo-se unos a Ele, diversificado em vários semideuses ou na Sua forma universal.

Mas Eu sou a meta de todos os sacrifícios recomendados nas escrituras e Sou os elementos usado nesses sacrifícios.

Eu sou o pai deste universo, a mãe e o avô. Eu sou o objeto de conhecimento, aquele que purifica a alma e o som OM, eu sou também os Vedas.

Eu sou a meta última a ser alcançada. Através de minhas energias sustento todos os universo. Eu sou o mestre, e por estar dentro do coração de todos sou também a testemunha de suas atividades. Eu sou a morada Suprema, o real abrigo e o mais querido amigo. Eu crio e aniquilo todos os universos através de minhas energias. Eu sou a base de tudo, o lugar de descanso e a semente eterna.

Eu controlo o calor, a chuva e a seca através dos semideuses. Eu sou a imortalidade e também sou a morte, tanto a existência como a inexistência.

Aqueles que estudam os Vedas e adoram os semideuses buscando os planetas celestiais para gozarem de delícias divinas, depois de algum tempo, tem que voltar a este planeta mortal novamente. Assim eles só alcançam a felicidade material por pouco tempo.

Mas para aqueles que Me adoram com devoção, meditando em Minha forma transcendental, Eu trago o que lhes falta e preservo o que eles têm.

Tudo que um homem possa dar em sacrifício aos semideuses, na realidade eles estão dando para Mim, só que eles não conseguem entender isso e por isso não conseguem se elevar espiritualmente.

Aqueles que adoram aos semideuses, nascerão entre os semideuses; aqueles que adoram a fantasmas e espíritos, nascerão entre tais seres; aqueles que adoram aos antepassados, irão ter com os antepassados e aqueles que Me adoram, viverão coMigo.

Se uma pessoa Me oferecer com amor e devoção, uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu aceitarei.

Tudo que você fizer, tudo que você comer, tudo que você oferecer e presentear, todas as austeridades e sacrifícios que executar, tudo deve ser feito como um oferecimento a Mim.

Dessa maneira, você se libertará de todos os resultados das ações boas e más, e virá a Mim.

Eu sou igual para todos. Mas aquele que presta serviço a Mim em devoção, é um amigo e Eu também sou um amigo para ele.

Mesmo que uma pessoa que está ocupada em serviço devocional, fizer alguma coisa que não seja adequada, isto não o desqualifica. Já que ele se lembra constantemente do Senhor Supremo e se ocupa com devoção no Seu serviço, este processo vai purificá-lo aos poucos, até que ele não aja mais de maneira incorreta.

Ó Arjuna, declare a todos que Meu devoto sempre é exitoso e nunca cairá em ruína, pois Eu o protegerei.

Ocupe sua mente sempre em pensar em Mim e converta-se em Meu devoto; ofereça-me reverências e Me adore. Absorvendo-se completamente em Mim, seguramente você virá a Mim."

"Pense sempre em Mim e se converta em Meu devoto. Adore-Me e Me ofereça reverências. Assim, sem dúvida, virá a Mim. Eu lhe prometo isto porque você é Meu muito querido amigo"...

 

Capítulo X

Vibhuti-Yoga

O Grandioso Tesouro

 

"Ó Arjuna de braços poderosos, aquele que sabe que Eu sou a origem de todos os semideuses e sábios, que Eu sou o Senhor Supremo de todos os planetas, que não tenho começo nem fim, esta pessoa está livre de todas as dúvidas e de todos os pecados.

Todos os vários atributos da entidade viva, como inteligência, conhecimento, tranqüilidade, tolerância, verdade, controle dos sentidos, felicidade e infelicidade, nascimento e morte, medo e coragem, não-violência, equanimidade, satisfação, austeridade, caridade, fama e infâmia, todos são criados por Mim.

Os grandes sábios e progenitores do Universo, foram dotados de poder por Mim e nasceram de Brahma, que é Minha expansão mental. Toda a população do universo descende desses patriarcas.

Eu sou Krsna, o Doce Absoluto, fonte de todos os mundos espirituais e materiais. Tudo emana de Mim.

Os sábios que sabem disto perfeitamente, ocupam-se em Meu serviço devocional e Me adoram com todo seu coração.

Os pensamentos de Meus devotos puros vivem em Mim, suas vidas estão rendidas a Mim, e eles sentem grande satisfação e bem-aventurança, iluminando-se uns aos outros e conversando sobre Mim; para eles Eu dou a compreensão com a qual eles podem vir a Mim. Morando em seus corações, destruo com a luz brilhante do conhecimento, a escuridão que nasce da ignorância."

Arjuna diz:

"Por favor, fale-me, detalhadamente, dos Seus poderes divinos, pelos quais Você penetra estes mundos e mora neles. Em que forma devo meditar em Você?"

Krsna diz:

" Minha opulência é ilimitada, por isso falarei somente das principais:

Eu sou a Superalma situado nos corações de todas as criaturas. Eu sou o começo, o meio, o fim de todos os seres. Dos doze Adityas, Eu sou o sol radiante; dos Marutas, Eu sou Marici, que controla os espaços celestiais; e entre as estrelas Eu sou a Lua; dos Vedas, Eu sou o Sama-Veda; dos semideuses, Eu sou Indra; dos sentidos, eu sou a mente e nos seres vivos, Eu sou o conhecimento.

De todos os onze Rudras, Eu sou Siva; dos Yaksas e Raksasas, Eu sou o senhor das riquezas, Kuvera; dos Vasus, Eu sou Agni (o fogo) e das montanhas, Eu sou Meru. Dos sacerdotes, Eu sou Brhaspati, o senhor da devoção; dos generais, Eu sou Kartkeya, o senhor da guerra; e dos reservatórios de água, Eu sou o oceano. Dos sábios, Eu sou Bhrgu; das vibrações sonoras, Eu sou a sílaba OM transcendental; dos sacrifícios, Eu sou a japa (o cantar dos santos nomes); e das coisas imóveis, Eu sou o Himalaia. De todas as árvores, Eu sou a figueira sagrada Asvattha; entre os sábios divinos, Eu sou Narada; dos cantores celestiais, sou Citraratha; e entre os seres perfeitos, Eu sou Kapila.

Saiba que dos cavalos, Eu sou Ucchaisvara, que surgiu do oceano, nascido do elixir da imortalidade; e dos elefantes, Eu sou Airavata; e entre os homens, Eu sou o rei. Das armas, Eu sou o raio; entre as vacas, Eu sou a surabhi, que dá leite em abundância; dentre os cupidos, Eu sou Kandarpa, que garante filhos; e entre as serpentes venenosas de uma só cabeça, Eu sou Vasuki. Entre as serpentes não-venenosas de várias cabeças, Eu sou Ananta-naga; entre as deidades aquáticas, Eu sou Varunadeva; dos ancestrais falecidos, Eu sou Aryama; e entre os executores da Lei, Eu sou Yamaraja, o senhor da punição.

Dentre os ateístas Daityas, Eu sou Prahlada, o grande devoto; entre os dominadores, Eu sou o tempo que corrói tudo; entre os animais selvagens, Eu sou o poderoso e feroz leão; e entre as aves, Eu sou o carregador de Visnu, Garuda.

Entre os purificadores e os que são velozes, Eu sou o vento; entre os heróis com armas, Eu sou Rama; entre os peixes, Eu sou o tubarão; e entre os rios, Eu sou o Ganges. Da criação, Eu sou o começo, o meio e o fim; entre todas as ciências, Eu sou a que revela o conhecimento da alma; entre os lógicos e filósofos, Eu sou a conclusão demonstrada. Das letras, Eu sou A; entre as palavras compostas, Eu sou a palavra Rama-Krsna.

Eu sou o tempo que nunca termina; entre os criadores, Eu sou o Senhor Brahma; entre os saqueadores, Eu sou a morte, que acaba com tudo; entre as seis transformações das entidades vivas, Eu sou a principal: o nascimento; entre as mulheres, Eu sou as sete qualidades de uma boa esposa: graça, beleza, fala perfeita, memória, inteligência, paciência e perdão.

Entre todos os mantras do Sama-Veda, Eu sou o Brhat-sama, cantado para o Senhor Indra. Da poesia, Eu sou o verso Gayatri, cantado diariamente pelos Brahmanas; dos meses, Eu sou Aghayama ( mês da colheita); e das estações, Eu sou a primavera florida.

Entre os trapaceiros, Eu sou o jogo de azar; Eu sou a influência no influente, Eu sou a vitória para o vitorioso, Eu sou a perseverança para o empreendedor e Eu sou a força dos poderosos. Entre os Yadavas, Eu sou Vasudeva; entre os Pandavas, Eu sou Arjuna; entre os sábios, Eu sou Vyasadeva; entre os grandes pensadores conhecedores das escrituras, Eu sou Sukracarya, o mestre dos demônios.

Entre as punições, Eu sou o açoite que castiga os canalhas; entre aqueles que buscam a vitória, Eu sou a moralidade e a diplomacia política. Dos segredos, Eu sou o silêncio; e dos sábios, Eu sou a sabedoria.

Ó Arjuna! Eu sou a semente que gera todos os seres. Nenhum ser, móvel ou imóvel, pode existir sem Mim.

Ó conquistador do inimigo! Não há fim para as Minhas opulências. Apenas para sua compreensão, descrevi algumas delas. Todas as criações belas, gloriosas e magníficas nascem de uma fração de Minha potência. Mas qual é a necessidade, Arjuna, de todo este conhecimento detalhado? Tudo existe apenas porque com um só fragmento Meu, Eu penetro e suporto este universo inteiro."

Krishna é a Fonte original de toda opulência

 

 

Capítulo XI

Visva-Rupa-Darsana-Yoga

A Visão da Forma Universal

Arjuna admira a Forma Universal do Senhor

 

Arjuna diz:

"Eu ouvi Suas instruções sobre Sua natureza Suprema e agora minha ilusão se dissipou. Gostaria de ver Sua forma, que entra em todo o Universo e em todas as entidades vivas. Mostre-me, por favor, essa Sua forma cósmica."

O Senhor diz:

"Um homem comum não pode ver essa Minha forma universal, mas Eu lhe dou poderes para poder vê-La. Olhe agora Minhas opulências, centenas de milhares de formas divinas variadas, multicoloridas como o mar. Veja as diferentes manifestações de Adityas (semideuses filhos de Aditi), Rudras e todos os semideuses. Eis aqui as muitas coisas que ninguém jamais viu ou ouviu antes. Esta forma universal pode mostrar tudo, no passado, no presente e no futuro."

Sanjaya disse:

"Ó Rei Dhrstarasthra, assim o Senhor Supremo, dando visão divina para Arjuna, exibiu Sua forma universal. Arjuna pode ver bocas ilimitadas e olhos ilimitados. Era totalmente maravilhosa. A forma estava decorada com, brilhantes enfeites divinos e belas vestimentas. Estava com guirlandas e havia muitas essências untadas em Seu corpo. Tudo era magnífico expandindo-se ilimitadamente.

O brilho da forma universal parecia o de centenas de milhares de sóis ao mesmo tempo no céu. Sentado na quadriga com Krsna, Arjuna pôde ver no corpo de Krsna, milhares de universos: alguns feitos de terra, alguns de ouro, alguns de jóias. As outras pessoas no campo de batalha não viram nada. Só Arjuna com os poderes que Krsna lhe deu pôde ver tudo isso. Então, confundido e espantado, seus cabelos arrepiados, Arjuna começou a orar ao Senhor Supremo"

Arjuna diz:

"Meu querido Senhor Krsna, vejo reunidos em Seu corpo, todos os semideuses e diversas outras entidades vivas. Vejo Brahma sentado na flor de lótus, bem como o Senhor Siva e muitos sábios e serpentes divinas.

Ó Senhor do universo, eu vejo em Seu corpo universal muitas e muitas formas; barrigas, bocas, olhos; expandidos sem limite. Não há fim, não há começo e não há meio para tudo isso.

Sua forma, enfeitada com diversas coroas, macas e discos, é difícil de ver por causa de sua refulgência deslumbrante a qual, expandindo-se por todos os lados, é abrasante e incomensurável como o sol.

Você é o objetivo supremo;Você é o melhor em todos os universos; Você é o inesgotável e Você é o mantenedor da religião eterna, a eterna Personalidade de Deus.

Você é a origem sem começo, meio ou fim. Você tem braços inumeráveis e o Sol e a Lua estão entre Seus grandes e ilimitados olhos. Por Seu próprio resplendor, Você esquenta este universo inteiro. Embora Você seja único, Você Se espalha por todo o céu e planetas e todo o espaço entre eles. Enquanto vejo esta forma, vejo que outras pessoas em outros sistemas planetários que estão despertas espiritualmente com a visão divina, podem vê-Lo e estão tão maravilhados quanto eu.

Os semideuses e sábios ficaram temerosos com a forma universal e oferecem preces, tentando apaziguar Sua forma universal.

Ó Krsna de braços poderosos, todos os planetas com seus semideuses se perturbam ao verem Seus muitos rostos, olhos, braços, barrigas e pernas e Seus dentes terríveis, e assim como eles estão perturbados, eu também estou.

Ó Senhor dos senhores, refúgio dos mundos, por favor, seja bondoso comigo. Vendo Seus rostos, abrasantes como a morte, e dentes terríveis, sinto medo e não consigo manter meu equilíbrio.

Vejo os filhos de Dhrstarasthra junto com seus reis aliados, assim como Bhisma, Drona, Karna e todos os nossos soldados, entrarem dentro de Suas bocas e suas cabeças serem esmagadas por Seus dentes.

Todos esses grandes guerreiros entram em Suas bocas abrasantes e morrem.

Vejo Você cobrindo o universo com Seus raios incomensuráveis, queimando os mundos. Por favor, meu Senhor de forma tão feroz, diga-me qual é a Sua missão."

O Bem Aventurado Senhor diz:

"Eu sou o tempo que tudo destrói e Eu vim para devorar todas essas pessoas. Com exceção de vocês, os Pandavas, todos os soldados aqui, de ambos os lados, serão mortos. Portanto, levante-se e prepare-se para lutar. Depois de conquistar seus inimigos, você desfrutará de um reino próspero. Eles já estão mortos por Minha vontade e você Arjuna, será apenas um instrumento nesta luta. Todos os grandes guerreiros já estão destruídos. Simplesmente lute, e você vencerá seus inimigos".

Sanjaya disse a Dritarastra:

"Ó rei, depois de ouvir estas palavras da Suprema Personalidade de Deus, Arjuna tremeu, com muito medo ofereceu reverências com as mãos postas e balbuciando, começou a falar o seguinte:

"Ó Hrsikesa! Embora os seres perfeitos Lhe ofereçam suas homenagens respeitosas, os demônios têm medo, e fogem daqui para ali. Você é o refúgio do universo, assim Lhe ofereço minhas respeitosas reverências mil vezes, e de novo e ainda outra vez. No passado, eu me dirigi a Você como " Ó Krsna, meu amigo!", sem entender que Você é a Personalidade de Deus. Por favor, perdoe-me por todas as minhas ofensas; Você é o Senhor Supremo a quem todos seres vivos devem adorar, por isso prostro-me para oferecer meus respeitos a Você e pedir por Sua misericórdia. Por favor, tolere os erros que eu possa ter feito para Você, assim como um pai tolera os erros de seu filho, ou um amigo com seu amigo.

Depois de ver esta forma universal, a qual jamais havia visto, sinto-me alegre mas, ao mesmo tempo, minha mente está perturbada pelo temor. Por isso, por favor, conceda-me Sua graça e revele outra vez Sua forma, como a Personalidade de Deus, com quatro braços, com um elmo na cabeça e com uma maça, uma roda, uma concha e uma flor de lótus em Suas mãos. Anseio por ver Você nesta forma."

O Bem aventurado Senhor diz:

"Meu querido Arjuna, com alegria Eu lhe mostro esta forma universal dentro do mundo material, através de Minha potência interna. Antes de você, ninguém jamais viu esta forma refulgente, deslumbrante e ilimitada. Só você a viu. Sua mente se perturbou ao ver este Meu aspecto horrível. Então que isto se acabe. Meu devoto, liberte-se de todas as perturbações. Agora você pode ver a forma que deseja, com a mente tranqüila."

Sanjaya disse a Dritarastra:

"A Suprema Personalidade de Deus, Krsna, enquanto falava assim para Arjuna, exibiu Sua forma verdadeira de quatro braços, e finalmente, mostrou a Arjuna Sua forma de dois Braços, animando assim o medroso Arjuna. Quando, então, Arjuna viu Krsna em Sua forma original, ele disse:

"Agora que vejo esta forma semelhante à humana, assim tão bela, minha mente está tranqüila e estou reintegrado à minha natureza original."

O Bem aventurado Senhor diz:

" Meu querido Arjuna, a forma que você vê agora é muito difícil de ver. Mesmo os semideuses sempre buscam a oportunidade de ver esta forma que é tão querida. Só através do serviço devocional é possível compreender-Me tal como Eu sou, como estou diante de você, e assim é possível ver-Me diretamente."

Krishna mostra Sua Forma Universal para Arjuna

Figura 4: Krsna exibe Sua forma universal para Arjuna

 

Capítulo XII

Bhakti-yoga

O Caminho da Devoção

 

Arjuna indagou:

"Quem é considerado mais perfeito: os que estão ocupados corretamente em Seu serviço devocional, ou os que adoram o Brahman impessoal, que não tem forma?"

O Bem aventurado Senhor diz:

"Aquele cuja mente está fixa em Minha forma pessoal, sempre ocupado em Me adorar com grande fé transcendental, Eu considero o mais perfeito. Mas aqueles que controlando os sentidos, tratando com respeito todas as entidades vivas, adoram o Brahman impessoal, depois de muitos nascimentos, eles Me alcançam; esse processo é mais longo e penoso.

Simplesmente fixe sua mente em Mim, e ocupe toda sua inteligência em Meu serviço, deste modo, você estará sempre coMigo, livre de nascimentos e mortes repetidos. Se você não conseguir fixar sua mente em Mim naturalmente, através do amor transcendental, então siga os princípios regulativos de bhakti-yoga e aos poucos, purificando sua mente e seu coração, você desenvolverá desejo de Me alcançar.

Se você não puder praticar as regulações de bhakti-yoga, então tente simplesmente trabalhar para Mim, oferecendo o fruto de seu trabalho para o Meu serviço, assim você alcançará o estágio perfeito.

Se você é incapaz de oferecer o resultado de seu trabalho para o Meu serviço, então oferece o resultado de seu trabalho em caridade, assim você alcançará o estágio do serviço devocional.

Se você não pode adotar esta prática, então ocupe-se no cultivo do conhecimento, que fará você compreender sua verdadeira posição. Através do conhecimento, você alcançará a meditação e através dela você perceberá a Suprema Personalidade de Deus em seu coração.

Aquele que não é invejoso, mas que é um amigo bondoso para todas as entidades vivas, que não se considera proprietário de nada, que está livre do falso ego e se mantém equilibrado, tanto na felicidade como no sofrimento, que está sempre satisfeito com sua cota e ocupado em serviço devocional com determinação e cuja mente e inteligência estão em harmonia coMigo, essa pessoa é muito querida por Mim.

Aquele que não perturba ninguém, e a quem ninguém pode perturbar, que não se regozija na felicidade material e nem se desespera no sofrimento, que nada teme e está livre da ansiedade, esse devoto Me é muito querido.

O devoto que está livre de toda esperança e afeição materiais, que é puro, que tem conhecimento, que está livre da ansiedade por causas materiais e que sempre renuncia ao fruto de seus esforços, esse devoto Me é muito querido.

Aquele que segue este caminho do serviço devocional e que se ocupa completamente com fé, fazendo de Mim a meta suprema, é muito, muito querido para Mim."

 

Gopala-Krishna - o encantador menino pastor de vacas com um bezerro...

 

Capítulo XIII

Prakrti-Purusa-Viveka-Yoga

O Predominado e o Predominador

 

Arjuna diz:

"Ó meu querido Krsna, desejo saber sobre a prakrti (natureza), o purusa (desfrutador), o campo (corpo material), e o conhecedor do campo (alma), sobre o conhecimento e o objetivo do conhecimento."

O Bem aventurado Senhor diz:

"Este corpo é o campo onde a entidade viva executa atividades de acordo com seus desejos. Aquele que conhece que ele é distinto do corpo, é o conhecedor do corpo. O corpo é formado pelos cinco grandes elementos (terra, água, fogo, ar, éter), o falso ego, a inteligência, os três modos da natureza (bondade, paixão, ignorância), os dez sentidos ( olhos, ouvidos, nariz, língua, tato; voz pernas mãos ânus e genitais), a mente, os cinco objetos dos sentidos (olfato, paladar, forma, som e tato). Através do corpo tomamos contato com o desejo, ódio, o prazer e a dor. A mente, inteligência e falso ego, chamados de corpo sutil, se manifestam através da consciência e convicção.

O corpo é a combinação de todos esses elementos, e ele sofre mudanças: nasce, cresce, permanece, produz filhos e então começa a envelhecer e morre. Ele não é permanente. Mas o conhecedor do campo, a alma, é o proprietário do corpo e ele não sofre nenhuma mudança, e nunca morre.

Vou lhe explicar os sintomas de alguém que tem conhecimento: humildade, modéstia, não-violência, tolerância, simplicidade, aproximar-se de um mestre espiritual autêntico, limpeza, estabilidade e auto-controle, renúncia aos objetos de gratificação dos sentidos, ausência de falso ego, a percepção do mal do nascimento, morte, velhice e enfermidade; desapego dos filhos, esposa, lar e do resto; estabilidade mental diante dos eventos agradáveis e desagradáveis, devoção constante e pura por Mim, recorrer a lugares solitários em vez de lugares tumultuados pela massa geral de pessoas;aceitar a importância da auto-realização e busca filosófica da verdade absoluta. o contrário disto é ignorância.

Agora Eu lhe falarei sobre a Superalma: Ele está situado no coração de todo mundo e testemunha todas as atividades da entidade viva. Aquele que vê a Superalma acompanhando a alma individual em todos os corpos e que compreende que nem a alma nem a Superalma jamais são destruídas, este vê realmente."

Sri Nityananda Avadhuta - a Superalma original

 

Capítulo XIV

Guna-Vibhaga-Yoga

Os Três Modos da Natureza Material

O Bem aventurado Senhor diz:

"A natureza material consiste de três modos: bondade, paixão, ignorância. Quando a entidade viva entra em contato com a natureza, ela fica condicionada por estes modos.

O modo da bondade, sendo mais puro que os outros, ilumina e livra a pessoa de todas as reações pecaminosas. Aqueles que se situam neste modo, desenvolvem conhecimento e alcançam certa felicidade material, mas o problema é que eles começam a se sentir mais avançados e melhores que os outros, dessa maneira, ficam presos ao ciclo de nascimentos e mortes repetidos.

O modo da paixão nasce dos desejos ilimitados e por causa disso, a pessoa se prende às atividades materiais para satisfazer seus desejos e fica presa ao ciclo de nascimentos e mortes repetidos.

O modo da ignorância causa a ilusão e como resultado vem a loucura, preguiça, sono demasiado e uso de drogas. A ignorância prende a pessoa no ciclo de nascimentos e mortes repetidos, levando-a cada vez mais para corpos inferiores.

Quando a entidade viva morre no modo da bondade, ela alcança os planetas superiores onde moram grandes sábios.

Quando a pessoa morre no modo da paixão, ela nasce entre aqueles que se ocupam em atividades para gratificação dos sentido, nos planetas terrestres.

Quando morre no modo da ignorância, ela nasce no reino animal.

Agindo no modo da bondade, a pessoa se purifica; trabalhos feitos no modo da paixão resultam em sofrimento; e ações executadas no modo da ignorância trazem sofrimento e degradação.

Mas, a entidade viva que compreende que o Senhor Supremo está além desses três modos poderá conhecer Minha natureza espiritual, Transcendendo estes três modos, ela pode libertar-se do ciclo de repetidos nascimentos e mortes e pode ser feliz mesmo nesta vida."

Arjuna pergunta:

"Ó meu Senhor, como é possível transcender esses três modos?"

Senhor Krsna responde:

"Aquele que se ocupa completamente em serviço devocional, que não cai em nenhuma circunstância, transcende imediatamente os modos da natureza material e desse modo chega ao nível de Brahman. Chegando nesse ponto, ele se mantém indiferente às dualidades do mundo material."

Krishna quebra Sua palavra e ataca o avô Bhisma...

 

Capítulo XV

Purusottama-Yoga

A Pessoa Suprema

 

O Senhor Krsna continua explicando:

"O envolvimento deste mundo material é comparado a uma árvore. Para a pessoa que se ocupa em atividades fruitivas, essa árvore não tem fim. A pessoa vagueia de um galho para outro, para outro e para outro, procurando satisfazer seus sentidos. A árvore deste mundo material não tem fim, e para a pessoa que está apegada a esta árvore, não há possibilidade de liberação. O hinos védicos destinados a liberar essa pessoa, são as folhas desta árvore. As raízes desta árvore crescem para cima, porque elas começam de onde Brahma está localizado, no planeta mais elevado deste universo. Se uma pessoa pode compreender esta indestrutível árvore da ilusão, então ela pode se livrar dela. Esta árvore nada mais é que o reflexo da verdadeira árvore que existe no mudo espiritual.

Quando vemos algo refletido na água, sua imagem fica invertida. Assim, como essa árvore é um reflexo, suas raízes ficam para cima e seus galhos para baixo.

Seus galhos se espalham em todas as direções. Nas partes inferiores existem várias entidades vivas, como seres humanos e animais. Nas partes superiores, estão as formas mais elevadas de entidades vivas: os semideuses e outras espécies superiores. Assim como uma árvore se alimenta com água, esta árvore se alimenta com os três modos da natureza material.

Os brotos são considerados os objetos dos sentidos (som, forma, tato, olfato, paladar) que as entidades vivas desfrutam de acordo com os modos da natureza.

A raiz principal vem de Brahmaloka e ela se multiplica em várias raízes secundárias que se espalham em todas as direções. Nelas estão a tendência para atividades piedosas e impiedosas, e variedades de sofrimento e prazer resultantes delas.

Com determinação deve-se derrubar esta árvore com a arma do desapego, e buscar aquele lugar de onde nunca se retorna, rendendo-se à Suprema Personalidade de Deus.

O esplendor do sol que dissipa a escuridão de todo este mundo, vem de Mim. E o esplendor da lua e do fogo também vem de Mim.

Eu entro em cada planeta e através de Minha energia eles permanecem em órbita. Devido a Mim o brilho da lua nutre todos os vegetais.

Eu sou o fogo da digestão dentro do corpo de todo ser vivo.

Eu estou situado no coração de todo mundo, e de Mim vêm a memória, o conhecimento e o esquecimento. Eu dou o conhecimento através dos Vedas com o qual, o ser vivo pode Me conhecer."

 

A "árvore" do mundo material

Figura 5: O envolvimento com este mundo material é comparado a uma árvore.

 

 

 

Capítulo XVI

Daivasura-Sampad-Vibhaga-Yoga

As Naturezas Divina e Demoníaca

 

"Neste mundo há dois tipos de seres criados: um chama-se o divino e o outro, demoníaco.

As qualidades da pessoa de natureza divina são: ausência de temor, a purificação de sua existência, o cultivo de conhecimento espiritual, a caridade, o auto-controle, a execução de sacrifício, o estudo dos Vedas, austeridade e simplicidade, não-violência, a veracidade, estar livre da ira, a renúncia, a tranqüilidade, evitar buscar erros nos outros, a compaixão, estar livre da cobiça, a gentileza, a modéstia e a determinação firme, o vigor, o perdão, a fortaleza, a limpeza, estar livre da inveja e do desejo por prestígio. Estas qualidades levam à liberação.

As qualidades da pessoa de natureza demoníaca são: arrogância, orgulho, ira, convencimento, aspereza e ignorância. Estas qualidades levam ao cativeiro do mundo material.

Aqueles que tem natureza demoníaca não sabem o que é certo e o que é errado. Eles não tem limpeza, nem comportamento correto. Eles não acreditam que há um Ser Supremo controlando tudo. Com sua inteligência totalmente dominada pela luxúria, ocupam-se em trabalhos prejudiciais ao mundo. Eles acreditam que gratificar os sentidos até o fim da vida é o único objetivo do ser humano. Desse modo, não há fim para sua ansiedade. Estando presos por desejos intermináveis, por luxúria e ira, eles acumulam dinheiro, através de meios ilegais, para gratificação dos sentidos. Alcançando nascimentos repetidos entre as espécies de vida demoníaca, tais pessoas nunca podem se aproximar de Mim. Gradualmente elas afundam até o tipo mais abominável de existência."

 

ito nrsimhah parato nrsimho yato yato yami tato nrsimhah bahir nrsimho hrdaye nrsimho nrsimham adim saranam prapadye

 

Capítulo XVII

Sraddha-Vibhaga-Yoga

Os Três Tipos de Fé

 

"De acordo com os modos da natureza que a entidade viva adquiriu, ela desenvolve um tipo de fé:

Os homens no modo da bondade, adoram os semideuses; os no modo da paixão, adoram os demônios; e os no modo da ignorância, adoram fantasmas e espíritos.

Os alimentos no modo da bondade, aumentam a duração da vida, purificam a existência da pessoa, dão força, saúde, felicidade e satisfação; tais alimentos nutritivos são doces, suculentos e deliciosos. Os alimentos que são muito amargos, muito ácidos, salgados, secos e picantes, são preferidos pelas pessoas no modo da paixão; esses alimentos causam dor e doenças. Alimentos cozidos mais que três horas antes de serem comidos, que não têm sabor, que são estragados, podres, decompostos e imundos, são alimentos que as pessoas no modo da ignorância gostam.

Dos sacrifícios, o sacrifício executado segundo o dever e as regras escriturais e sem esperar recompensa, é da natureza da bondade. O sacrifício executado para algum fim ou benefício material ou executado com ostentação, por orgulho, é da natureza da paixão. O sacrifício executado contra às injunções escriturais, no qual não se distribui alimento espiritual, nem se cantam hinos, nem se dá remuneração aos sacerdotes, e que carece de fé, este sacrifício é da natureza da ignorância.

A austeridade do corpo, feita no modo da bondade, consiste em: adoração ao Senhor Supremo, aos brahmanas, ao mestre espiritual e aos superiores, como o pai e mãe; limpeza. simplicidade, celibato e não-violência. A austeridade da fala consiste em falar a verdade e de modo a trazer o bem aos outros e evitar a linguagem que ofende. A pessoa deve recitar regularmente os Vedas. A austeridade da mente consiste em serenidade, simplicidade, gravidade, auto-controle e pureza de pensamento.

As austeridades ostentosas, que se executam para ganhar respeito, honra e prestígio, estão no modo da paixão.

As austeridades executadas tolamente, por meio de auto-tortura ou para destruir ou prejudicar os outros, estão no modo da ignorância.

A caridade no modo da bondade é aquela que se faz como dever, no tempo e lugar apropriados a uma pessoa digna, sem esperar recompensa. Quando se dá caridade a um brahmana ou vaisnava em um lugar de peregrinação, durante um eclipse lunar ou solar, ou no fim do mês, há um avanço espiritual.

Quando se dá caridade por compaixão a um pobre que não é digno, não há avanço espiritual.

A caridade feita esperando alguma recompensa, ou com o desejo de resultados fruitivos, ou com má vontade, está no modo da paixão.

A caridade executada em lugar e tempo inadequados, dada a pessoas indignas, ou sem respeito e com desdém, está no modo da ignorância.

Sempre que se executa sacrifícios ou austeridades para agradar o Senhor Supremo, os transcendentalistas iniciam com a palavra "OM TAT SAT". Estas palavras aperfeiçoam todas as atividades."

 

Capítulo XVIII

Moksa-Yoga

A Perfeição da Renúncia

Krishna Kumara - o encantador menino pastor de vacas com Seu papagaio

 

"Ó Arjuna, agora,vou lhe explicar sobre renúncia:

Os atos de sacrifício, caridade e austeridade, não devem ser abandonados, mas devem ser executados, pois eles purificam até as grandes almas. Essas atividades devem ser executadas sem nenhuma expectativa de resultados, apenas por uma questão de dever.

Não se deve renunciar aos deveres prescritos, mesmo que sejam problemáticos. Quem renuncia a seus deveres por ilusão ou por temor, está no modo da ignorância e paixão. Mas aquele que executa seu dever só porque deve ser feito e renuncia a todo apego aos resultados, sua renúncia é da natureza da bondade.

As pessoas no modo da bondade não odeiam o trabalho inauspicioso e não se apegam ao trabalho auspicioso.

É impossível a um ser corporificado renunciar a todas as atividades; por isso se diz que aquele que renuncia aos frutos da ação é uma pessoa que renuncia de verdade.

Para o cumprimento de toda ação são necessários cinco fatores: o lugar da ação, o executor, os sentidos, o esforço e a Superalma.

Uma pessoa no modo da bondade, vê a mesma natureza espiritual em todos os corpos; ela executa a ação de acordo com o dever, sem apego e sem ódio, renunciando aos resultados fruitivos. Este trabalhador está livre de todos os apegos materiais e do falso ego, é entusiasta, determinado e não se perturba com êxito ou fracasso.

A pessoa no modo da paixão, vê um tipo diferente de entidade viva morando em corpos diferentes. Essa pessoa executa ações com grande esforço, buscando gratificação dos sentidos e prestígio. Essa pessoa está sempre apegada aos resultados de seu trabalho; ela é cobiçosa, invejosa, impura e se perturba com a felicidade e o sofrimento.

A pessoa no modo da ignorância só se interessa pela manutenção do seu corpo de um modo confortável; ela não busca conhecimento espiritual, trabalha sem levar em conta as conseqüências futuras, causando dano a outras entidades vivas. Este trabalho vai sempre contra as escrituras. Essa pessoa é materialista, obstinada, enganadora, experta em insultar os outros, preguiçosa, desanimada e lenta.

Agora vou lhe falar sobre os três tipos de compreensão e determinação, de acordo com os três modos da natureza:

No modo da bondade, a pessoa compreende o que deve e o que não deve fazer, o que deve temer e o que não deve temer, o que ata e o que libera. Sua determinação é inquebrantável e constante, através da prática de yoga, e desse modo, controla a mente, a vida e os sentidos.

No modo da paixão, a pessoa não consegue distinguir entre religião e irreligião, não compreende o que deve e o que não deve fazer. Sua determinação está voltada para os frutos da religião, do desenvolvimento econômico e da gratificação dos sentidos.

No modo da ignorância, ela considera que irreligião é religião e religião é irreligião, está sempre iludido, esforçando-se na direção errada. Sua determinação, carente de inteligência, está voltada para a lamentação, mau humor, temor e sono em excesso, sempre voltado para dominar o mundo.

Ó Arjuna, ouça-Me falar sobre os tipos de felicidade, de acordo com os modos da natureza:

Aquilo que no começo é muito difícil, mas no fim é como néctar, e que desperta a pessoa para a auto-realização, é felicidade no modo da bondade.

Aquela felicidade que resulta da gratificação dos sentidos, que é como néctar no começo, mas que no fim traz sofrimento, é da natureza da paixão.

E a felicidade que não busca a auto-realização, que vem do sono, preguiça e ilusão, está no modo da ignorância.

Ninguém neste mundo material, está livre dos modos da natureza.

O trabalho que as pessoas se ocupam dentro da sociedade, deve estar de acordo com sua natureza.

Agora, vou lhe falar das qualidades do trabalho de acordo com a natureza das pessoas:

As qualidades do trabalho de um brahmana são: educar e orientar os cidadãos com tranqüilidade, auto-controle, austeridade, pureza, tolerância, honestidade, sabedoria, conhecimento e religiosidade.

As qualidades de trabalho dos kshatriyas são: governar e proteger os cidadãos com heroísmo, poder, determinação, destreza, coragem na batalha, generosidade e liderança.

As qualidades de trabalho para os vaisyas são: comércio, agricultura e proteção das vacas.

E para os sudras há o trabalho e serviço às outras classes.

Seguindo suas qualidades de trabalho, todo homem pode se tornar perfeito, através da adoração ao Senhor.

É melhor dedicar-se à própria ocupação, mesmo que a pessoa, talvez, a execute imperfeitamente, do que aceitar a ocupação de uma outra pessoa, e executá-la perfeitamente. A pessoa que executa os deveres prescritos de acordo com sua natureza, não recebe reações pecaminosas. A pessoa não deve abandonar o trabalho que nasce de sua natureza, mesmo que seja desagradável.

Verdadeira renúncia é controlar os sentidos e se desapegar das coisas materiais, mantendo sua mente fixa na Suprema Personalidade de Deus. Trabalhando desse modo, ela alcança o serviço devocional a Mim. E quando ela alcança plena consciência do Senhor Supremo através da devoção, ela pode entrar no Reino de Deus.

Embora ocupado em todos os tipos de atividades, Meu devoto, sob Minha proteção e por Minha graça, alcança a morada eterna e imperecível.

Eu lhe expliquei o mais secreto de todos os conhecimentos. Agora decida o que deseja fazer.

Pense sempre em Mim e converta-se em Meu devoto. Adore-Me e ofereça suas homenagens a Mim. Desse modo, você virá a Mim sem falta. Eu lhe prometo isto, porque você é Meu muito querido amigo. Abandone todas as variedades de religião e simplesmente se renda a Mim. Eu libertarei você de todas as reações pecaminosas. Não tema.

Este conhecimento confidencial não pode ser explicado para as pessoas que não são austeras, nem devotadas, nem ocupadas em serviço devocional, nem para aquelas que Me invejam.

Não há servo, neste mundo, mais querido para Mim do que aquele que explica este conhecimento supremo aos devotos. Para ele, o serviço devocional está garantido e ele retornará a Mim.

Aquele que estuda esta conversa sagrada Me adora com sua inteligência.

Aquele que ouve com fé e sem inveja, liberta-se das reações pecaminosas e alcança os planetas onde vivem os piedosos.

Ó Arjuna, você ouviu tudo atentamente? Suas ilusões e dúvidas se dissiparam?"

Arjuna responde:

"Querido Krsna, agora minha ilusão se foi. Por Sua misericórdia, agora estou firme e livre de dúvidas, e estou preparado para agir de acordo com Suas instruções."

Sanjaya disse:

"Desse modo, pela misericórdia de Vyasadeva, eu ouvi a conversa entre Krsna e Arjuna. Esta conversa é tão maravilhosa que meu cabelo se arrepia. Lembrando da forma de Krsna e de suas palavras, sinto-me iluminado a cada momento. Onde quer que esteja Krsna, o mestre de todos os poderes místicos, e onde quer que esteja Arjuna, o arqueiro supremo, certamente também haverá opulência, vitória, poder extraordinário e moralidade. Esta é minha opinião."

 

Srimad Bhagavad-gita - O Canto do Doce Senhor

 

 

 

Pequena história do Gita no Ocidente

 

Sri Krishna e Arjuna na quadriga com o estandarte de Hanuman

 

O Mahabharata confirma que o Senhor Krishna falou o Bhagavad-gita para Arjuna na Batalha de Kuruksetra no ano 3137 antes de Cristo. Kali-yuga começa no ano 3102 a.C. segundo dados astrológicos Védicos.

A primeira edição inglesa do Bhagavad-gita foi em 1785 traduzida por Charles Wilkins em Londres, Inglaterra. Apenas 174 anos após a tradução da Bíblia pelo rei James em 1611. O Bhagavad-gita foi traduzido para o latim em 1823 por Schlegel, em alemão por Von Humbolt (1826), em francês por Lassens (1846), e foi traduzido para o grego em 1848 por Galanos.

Vários pensadores históricos como Albert Einstein, Mahatma Gandhi, Dr. Albert Schweitzer, Herman Hesse, R. W. Emerson, Henry Thoreau, T. S. Eliot, Aldous Huxley, Rudolph Steiner, Nikola Tesla, entre muitos outros, leram o Srimad Bhagavad-gita e se inspiraram em sua sabedoria infinita.

Srila Bhaktivedanta Swami Maharaj Prabhupada - Paramahamsa Thakur Mahashaya

Bhaktivedanta Swami Prabhupada presenteou o mundo com esse "Tesouro Oculto do Doce Absoluto" em 1971, ou seja, "Bhagavad-gita As It Is". A Edição definitiva e genuína do Gita em sua plenitude, com seu significado claro iluminado pelo enviado pessoal do Senhor, Seu companheiro querido eterno. A primeira edição brasileira de "O Bhagavad-gita Como Ele É" foi em 1976.

Senhor Ganesha - O Escrevente dos Vedas

 

 

Upadeshamrita
de
Srila Rupa Goswami Prabhupada

"O Néctar da Instrução"

(Sua Divina Graça Bhaktivedanta Swami Maharaj Prabhupada)

 

 

Upadeshamrita de Srila Rupa Goswami Prabhupada

1

Uma pessoa equilibrada, que é capaz de controlar o desejo de falar, as exigências da mente, as ações da ira e os desejos da língua, do estômago e dos genitais, é qualificada para fazer discípulos em todo o mundo.

2

Há seis atividades que destroem o serviço devocional e por isso devem ser evitadas:

1) Comer mais do que o necessário ou acumular bens ou dinheiro mais do que necessita;

2) esforçar-se muito por coisas materiais difíceis de se obter;

3) conversar sem necessidade sobre coisas materiais;

4) praticar as regras das escrituras sagradas sem ter como objetivo o avanço espiritual, ou não seguir as regras das escrituras agindo de acordo com suas próprias regras;

5) associar-se muito com pessoas que só estão interessadas em assuntos materiais e não espirituais;

6) desejar coisas materiais.

3

Há 6 coisas que ajudam no serviço devocional:

1) Ser entusiasmado;

2) esforçar-se com confiança;

3) ser paciente;

4) seguir as regras sabendo que elas vão ajudá-lo a se elevar espiritualmente;

5) abandonar a companhia dos que só estão interessados em assuntos materiais;

6) seguir o exemplo dos grandes acaryas (homens santos).

4

Há 6 sintomas de amor entre os devotos:

1) Dar presentes em caridade;

2) aceitar presentes caridosos;

3) revelar pensamentos com confiança;

4) fazer perguntas a respeito do serviço devocional;

5) aceitar prasada;

6) oferecer prasada.

5

Deve-se oferecer respeitos mentalmente ao devoto neófito, que canta o santo nome do Senhor.

Deve-se oferecer reverências humildes ao devoto avançado que recebeu iniciação espiritual e que se dedique a adorar a Deidade.

Deve-se associar-se com o devoto mais elevado, que seja avançado no serviço devocional sem se desviar e cujo coração está completamente livre do desejo de criticar os outros. Este devoto puro deve ser servido fielmente.

6

Não se deve reparar se o corpo do devoto puro nasceu numa família inferior, se tem aspecto feio, se é deformado, doente ou fraco. Isso seria uma ofensa.

O que importa é o serviço devocional puro que ele executa ao Senhor Supremo.

7

O santo nome, os passatempos e as atividades de Krsna, são todos espirituais.

As pessoas mergulhadas na ignorância não apreciam coisas espirituais.

Mas é maravilhoso que, pelo simples fato de cantar com cuidado os santos nomes todos os dias, a ignorância seja aos poucos eliminada.

 

8

Deve-se utilizar todo o tempo - 24 horas por dia - em cantar bem e lembrar o nome divino do Senhor. Sua fama, Suas qualidades e Seus passatempos eternos, ocupando-se desse modo a língua e a mente.

Deve-se morar em Vrndavana e servir a Krsna sob orientação dos devotos.

Deve-se seguir o exemplo dos adorados devotos do Senhor, que estão profundamente apegados a Seu serviço devocional.

9

Vaikuntha é o mundo espiritual, além deste mundo material.

Mathura é o local onde o Senhor Krsna apareceu e por isso ele é espiritualmente superior a Vaikuntha.

Vrndavana é o local dos passatempos de Krsna com as gopis, por isso é superior a Mathura.

Colina de Govardhana, que Krsna ergueu com Suas mãos, é superior a Vrndavana.

Radha-Kunda ocupa a posição suprema, pois Suas águas estão cheias do amor Supremo do Senhor Krsna.

Qual será a pessoa inteligente que não estará disposta a servir a este divino lago, que está situado na Colina de Govardhana?

10

De todos os tipos de trabalhadores fruitivos, alguns procuram valores superiores da vida.

Dentre eles, os mais avançados no conhecimento espiritual, se dedicam ao serviço devocional.

Dentre os devotos, aqueles raros alcançam amor puro ao Senhor.

Dentre estes grandes devotos, as gopis são as mais elevadas, porque sempre dependem totalmente de Sri Krsna.

Dentre as gopis, a mais querida de Krsna é Srimati Radharani. Seu lago (Radha-Kunda) é tão querido para Krsna quanto Ela.

Quem então, não residiria em Radha-Kunda e, com um corpo espiritual sobrecarregado com sentimentos devocionais, não prestaria serviço devocional ao casal divino Sri Sri Radha-Govinda?

Na realidade, as pessoas que realizam serviço devocional nas margens do Radha-Kunda, são as pessoas mais afortunadas que há no universo.

11

Sem dúvida, é muito raro alcançar Radha-Kunda, até mesmo para os grandes devotos; portanto, é ainda mais difícil que os devotos comuns o alcancem.

Se uma pessoa se banha uma só vez nessas águas santas, ela desperta totalmente o seu amor puro por Krsna.

 

Sri Radha-kunda

Radha-Kunda: (Kunda: lago, balneário) Depois de matar o touro demoníaco Arista, Krsna, para dar exemplo, sentiu-Se obrigado a expiar o Seu pecado de ter matado um touro, então bateu com Seu calcanhar no solo e invocou todas as águas sagradas para se manifestarem ali, criando o Shyama-Kunda. Krsna então ficou muito arrogante de Seu feito e passou a provocar as gopis. Radharani, a líder delas, percebeu uma depressão mais à frente, provocada pelos cascos do demônio Arista, e chamou as gopis para cavar um lago no local. Assim se formou o Radha-Kunda, que foi preenchido com as águas do Shyama-Kunda.

 

 

 

 

Sri Ishopanishad

(Sua Divina Graça Bhaktivedanta Swami Maharaj Prabhupada)

 

Sri Ishopanishad

 

INVOCAÇÃO

om purnam adah purnam idam
purnat purnam udacyate
purnasya purnam adaya
purnam evavasisyate

A Personalidade de Deus é perfeita e completa. Toda sua criação é perfeita e completa. Mesmo Ele se expandindo em infinitas unidades perfeitas e completas, Ele permanece o equilíbrio completo.

1

O Senhor controla e possui todas as coisas animadas ou inanimadas que estão dentro do universo. Portanto, uma pessoa deve aceitar somente as coisas que lhe são necessárias, que foram reservadas como sua cota, e não deve aceitar mais do que precisa.

2

Se uma pessoa aceita somente o que lhe é necessário, esse tipo de trabalho não a prenderá à lei do karma. Não há outra alternativa para o homem.

3

A pessoa que não utiliza sua vida para a realização espiritual, tem que entrar na região mais escura de ignorância.

4

Embora sempre permaneça em Sua morada, a Personalidade de Deus pode expandir-Se por toda parte. Ele é mais veloz que a mente e controla todos os semideuses. Ele supera a todos.

5

O Senhor Supremo caminha e não caminha. Está muito distante, mas também muito próximo. Está dentro de tudo e ainda assim fora de tudo.

6

Aquele que vê todas as coisas relacionadas com o Senhor Supremo, que vê todas as entidades como Suas partes e parcelas e que O vê dentro de todas as coisas, nunca odeia nada nem ninguém.

7

Uma pessoa que sempre vê todas as entidades vivas como partes do Senhor, conhece realmente todas as coisas, por isso não se deixa perturbar pela ilusão e ansiedade.

8

Essa pessoa tem que conhecer realmente o maior de todos, que não tem corpo material, que sabe tudo, que é puro e que satisfaz o desejo de todos, desde tempos imemoriais.

9

Aqueles que se ocupam no cultivo de atividades ignorantes, entrarão na mais escura região de ignorância. Pior ainda são os que se ocupam no cultivo do falso conhecimento, ensinando valores errados aos outros.

10

Os sábios explicaram que o cultivo do conhecimento dá um resultado e o cultivo da ignorância dá outro resultado bem diferente.

11

Só aquele que pode aprender o processo da ignorância e o do conhecimento transcendental, pode se libertar da influência de repetidos nascimentos e mortes e usufruir a benção completa da imortalidade.

12

Aqueles que se ocupam na adoração dos semideuses entram na mais escura região de ignorância, e mais ainda aqueles que adoram o Brahman (o brilho do corpo do Senhor Supremo).

13

Os sábios explicaram que adorar a suprema causa de todas as causas dá um resultado, e adorar aquilo que não é supremo dá outro resultado.

14

É dever do ser humano conhecer perfeitamente a Personalidade de Deus, Seu nome transcendental e a criação material temporária. Quando uma pessoa obtém este conhecimento, supera a morte e se liberta deste mundo material e no reino eterno de Deus, ela desfruta sua vida eterna de bem-aventurança e conhecimento.

15

Ó meu Senhor, sustentador de tudo que vive, o Seu rosto verdadeiro está coberto por Sua refulgência deslumbrante. Por favor, remova este brilho e revele-Se ao Seu devoto puro.

16

Ó meu Senhor, mantenedor do universo, destino dos devotos puros, bem-querente dos progenitores da humanidade, por favor, remova o brilho de Seus raios transcendentais para que eu possa ver Sua forma de bem-aventurança. O Senhor é a Suprema Personalidade de Deus eterna, semelhante ao Sol, como eu.

17

Que este corpo temporário seja reduzido a cinzas, e que o ar da vida se junte na totalidade do ar. Ó meu Senhor, por favor, lembre-Se agora de todos os meus sacrifícios e como o Senhor é o beneficiário último, por favor, lembre-Se de tudo que tenho feito para o Senhor.

18

Ó meu Senhor, poderoso como o fogo, ser onipotente, ofereço-Lhe agora todas as reverências caindo no solo a Seus pés. Ó meu Senhor, por favor, guie-me no caminho certo para alcançá-Lo e porque o Senhor sabe tudo que fiz no passado, por favor, liberte-me das reações de meus pecados passados para que não venham a existir obstáculos em meu progresso.

HARE KRSNA

HARE KRSNA

KRSNA KRSNA

HARE HARE

HARE RAMA

HARE RAMA

RAMA RAMA

HARE HARE

 

 

vrndayai tulasi-devyai, priyayai kesavasya ca krsna-bhakti-prade devi, satyavatyai namo namah

 

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