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Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga (Original Sem "correções")
Segundo Canto A Manifestação Cósmica
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Capítulo Nove Respostas por Citar a Versão do Senhor Verso 1 çré-çuka uväca Sri Shukadeva Goswami disse: Ó Rei, a menos que alguém esteja influenciado pela energia da Suprema Personalidade de Deus, não tem nenhum sentido para o relacionamento da alma pura em consciência pura com o corpo material. Esse relacionamento é justamente igual um sonhador que vê seu próprio corpo a trabalhar. Iluminação de Srila Prabhupada: A pergunta de Maharaja Parikshit sobre como um ser vivo começa sua vida material, embora esteja à parte do corpo material e mente, é perfeitamente respondida. A alma espiritual é distinta do conceito material da sua vida, porém ela está absorta num conceito material assim porque está influenciada pela energia externa do Senhor, chamada atma-maya. Isso já foi explicado no Primeiro Canto em conexão com a realização de Vyasadeva do Supremo Senhor e Sua energia externa. A energia externa é controlada pelo Senhor, e os seres vivos são controlados pela energia externa - pela vontade do Senhor. Por isso, embora o ser vivo seja consciência pura em seu estado puro, ele é subordinado à vontade do Senhor de ser influenciado pela energia externa do Senhor. No Bhagavad-gita (15.15) também a mesma coisa é confirmada; o Senhor está presente dentro do coração de todo ser vivo, e a consciência e esquecimento do ser vivo são influenciados pelo Senhor. Agora a próxima pergunta a ser feita automaticamente será por que o Senhor influencia o ser vivo para tais consciência e esquecimento. A resposta é que o Senhor claramente deseja que todo ser vivo esteja em sua consciência pura como uma parte e parcela do Senhor e assim estar dedicado no serviço amoroso do Senhor do modo como foi feito constitucionalmente; mas porque o ser vivo é parcialmente independente também, pode não estar com vontade de servir o Senhor, mas deve tentar se tornar tão independente quanto o Senhor. Todos os seres vivos não devotos são desejosos de se tornarem igualmente poderosos como o Senhor, embora não sejam capazes para se tornarem assim. Os seres vivos estão iludidos pela vontade do Senhor porque querem se tornar igual a Ele. Igual uma pessoa que pensa em se tornar um rei sem possuir a qualificação necessária, quando o ser vivo deseja se tornar o próprio Senhor Ele mesmo, ele é posto numa condição de sonhar que é um rei. Por isso o primeiro desejo pecaminoso do ser vivo é se tornar o Senhor, e o desejo conseqüente do Senhor é que o ser vivo esqueça sua vida real e assim sonhe com a terra da utopia onde ele pode se tornar alguém igual o Senhor. A criança chora para ter a Lua, e a mãe dá um espelho para satisfazer a criança que chora e perturba com o reflexo da Lua. Similarmente, a criança chorona do Senhor recebe para ela o reflexo, o mundo material, para dominá-lo como karmi e para abandoná-lo em frustração para se tornar uno com o Senhor. Ambos estágios são apenas ilusões de sonhos. Não há necessidade de traçar a história de quando o ser vivo desejou isso. Porém o fato é que tão logo ele desejou isso, foi posto sob o controle de atma-maya pela direção do Senhor. Por isso o ser vivo em sua condição material sonha falsamente que isso é "meu" e isso sou "eu". O sonho é que a alma condicionada pensa no seu corpo material como "eu" ou pensa falsamente que ela é o Senhor e que tudo em conexão com o corpo material é "meu". Por isso que somente em sonho que o equívoco de "eu" e "meu" persiste vida após vida. Isso continua vida após vida, enquanto o ser vivo não está puramente consciente de sua identidade como a parte e parcela subordinada do Senhor. Em sua consciência pura, entretanto, não existe esse sonho equivocado, e nesse estado de consciência pura o ser vivo não esquece que é eternamente o servidor do Senhor em amor transcendental. Verso 2 bahu-rüpa iväbhäti O ser vivo iludido aparece em tantas formas oferecidas pela energia externa do Senhor. Enquanto desfruta nos modos da natureza material, o ser vivo enjaulado entende errado, e pensa em termos de "eu" e "meu". Iluminação de Srila Prabhupada: As formas diferentes dos seres vivos são vestimentas diferentes oferecidas pela energia externa, ilusória do Senhor de acordo com os modos da natureza que o ser vivo deseja desfrutar. A energia material, externa é representada pelos seus três modos, a saber, bondade, paixão e ignorância. Por isso mesmo dentro da natureza material há uma chance de escolha independente para o ser vivo, e de acordo com sua escolha a energia material oferece a ele variedades diferentes de corpos materiais. Existem corpos, 1.100.000 vermes e répteis, 1.000.000 formas de pássaros, juntos existem 8.400.000 variedades de corpos diferentes em diferentes planetas do universo, e o ser vivo viaja por demasiadas transmigrações de acordo com os diferentes modos de desfrutar espírito dentro de si mesmo. Mesmo num corpo particular o ser vivo muda da infância para adolescência, da adolescência para juventude, da juventude para velhice e da velhice para outro corpo criado por sua própria ação. O ser vivo cria seu próprio corpo por seus desejos pessoais na extensão máxima. O tigre deseja desfrutar o sangue de outro animal, e por isso, pela graça do Senhor a energia marginal supre para ele o corpo de um tigre com facilidades para desfrutar o sangue de outro animal. Similarmente, um ser vivo que deseja ter um corpo de semideuses num planeta superior também pode obtê-lo pela graça do Senhor. E se ele for inteligente o bastante, pode desejar obter um corpo espiritual para desfrutar a companhia do Senhor, e ele obterá isso. Assim a liberdade diminuta do ser vivo pode ser utilizada plenamente, e o Senhor é tão bom que Ele concede para o ser vivo o mesmo tipo de corpo que ele deseja. O desejo do ser vivo é como sonhar com uma montanha de ouro. Uma pessoa sabe o que é uma montanha, e sabe também o que é ouro. Somente pelo seu desejo, ele sonha com uma montanha de ouro, e quando o sonho acaba ele vê alguma outra coisa em sua presença. Ele descobre que no seu estado desperto não tem nem ouro nem uma montanha, e o que dizer de uma montanha de ouro. As posições diferentes dos seres vivos dentro do mundo material sob manifestações multifárias de corpos são devido ao conceito errado de "meu" e "eu". O karmi pensa neste mundo como "meu", e o jñani pensa "eu sou" tudo. O conceito material integral de política, sociologia, filantropia, altruísmo etc. concebido pelas almas condicionadas está na base desse conceito errado "eu" e "meu", os quais são produtos de um forte desejo para desfrutar vida material. Identificação com o corpo e o lugar onde o corpo é obtido sob diferentes conceitos de socialismo, nacionalismo, afeição familiar, e assim por diante é devido ao esquecimento da natureza verdadeira do ser vivo, e o conceito errado integral do ser vivo pode ser removido pela associação de Shukadeva Goswami e Maharaja Parikshit, como tudo isso é explicado no Srimad Bhagavatam. Verso 3 yarhi väva mahimni sve Tão logo o ser vivo se torna situado em sua glória constitucional e começa a desfrutar a transcendência além de tempo e energia material, ele imediatamente abandona os dois conceitos errados de vida (eu e meu) e assim fica plenamente manifestado como o eu puro. Iluminação de Srila Prabhupada: Os dois conceitos errados de vida, a saber, "eu" e "meu", são verdadeiramente manifestados em duas classes de pessoas. No estado inferior o conceito de "meu" é muito proeminente, e no estado superior o conceito errado de "eu" é proeminente. No estado de vida animal o conceito errado de "meu" é percebido mesmo na categoria dos gatos e cães, que brigam um com o outro com o mesmo conceito errado de "meu". No estado inferior da vida humana o mesmo conceito errado também é proeminente na forma de "este é meu corpo", "esta é minha casa", "esta é minha família", "esta é minha casta", "esta é minha nação", "este é meu país" e assim por diante. E no estágio superior do conhecimento especulativo, o mesmo conceito errado de "meu" é transformado em "eu sou", ou "tudo isso é meu" etc.. Existem muitas classes de pessoas que compreendem o mesmo conceito errado de "eu" e "meu", em cores diferentes. Porém o verdadeiro significado de "eu" só pode ser realizado quando alguém está situado na consciência de que "eu sou um servidor eterno do Senhor". Isso é consciência pura, e as literaturas Védicas integrais nos ensinam esse conceito de vida. O conceito errado de "eu sou o Senhor", ou "eu sou o Supremo", é mais perigoso do que o conceito errado de "meu". Embora às vezes exista direções nas literaturas Védicas para pensar em si próprio uno com o Senhor, isso não significa que ele se torna idêntico com o Senhor em cada aspecto. Indubitavelmente existe unidade do ser vivo com o Senhor em muitos aspectos, mas ultimamente o ser vivo é subordinado ao Senhor, e ele é constitucionalmente destinado para satisfazer os sentidos do Senhor. O Senhor por isso pede para as almas condicionadas se renderem a Ele. Se os seres vivos não fossem subordinados à vontade suprema, por que o ser vivo é solicitado para se render? Se o ser vivo fosse igual em todos aspectos, então por que foi posto sob a influência de maya? Nós já discutimos muitas vezes que a energia material é controlada pelo Senhor. O Bhagavad-gita (9.10) confirma esse poder de controle do Senhor sobre a natureza material. Pode um ser vivo que alega ser tão bom quanto o Ser Supremo controlar a natureza material? O "eu" idiota responderá que fará isso no futuro. Mesmo se aceitar que no futuro qualquer um será um bom controlador da natureza material tanto quanto o Ser Supremo, então por que agora ele está sob o controle da natureza material? O Bhagavad-gita diz que qualquer um pode ficar livre do controle da natureza material por se render ao Supremo Senhor, mas se não houver nenhuma rendição, então o ser vivo nunca será capaz de controlar a natureza material. Por isso deve-se também abandonar o conceito errado de "eu" por praticar o caminho do serviço devocional ou ficar firmemente situado no serviço amoroso transcendental do Senhor. Uma pessoa pobre sem nenhum emprego ou ocupação deve passar por muitos problemas na vida, mas se por acaso a mesma pessoa obtém um serviço bom no governo, imediatamente fica feliz. Não existe nenhum lucro em negar a supremacia do Senhor que é o controlador de todas energias, mas deve-se ficar situado em sua própria glória, a saber, ficar situado em consciência pura de servidor eterno do Senhor. Em sua vida condicionada o ser vivo é servente da maya ilusória, e em seu estado liberado ele é o servo puro, não qualificado do Senhor. Tornar-se não manchado pelos modos da natureza material é a qualificação para entrar dentro do serviço do Senhor. Enquanto alguém for um servo de invenções mentais, não pode ser completamente livre da doença de "eu" e "meu". A Verdade Absoluta é incontaminada pela energia ilusória porque Ele é o controlador dessa energia. As verdades relativas estão aptas para serem absorvidas na energia ilusória. O melhor propósito é servido, entretanto, quando alguém encara diretamente a Verdade Absoluta, do mesmo modo quando alguém encara o Sol. O Sol em cima no céu é cheio de luz, mas quando o Sol não é visível no céu, tudo fica na escuridão. Similarmente, quando alguém está face a face com o Supremo Senhor, ele está livre de todas ilusões, e alguém que não está assim, está na escuridão da maya ilusória. O Bhagavad-gita (14.26) confirma a seguir: mäà ca yo 'vyabhicäreëa Assim a ciência de bhakti-yoga, de adorar o Senhor, glorificar o Senhor, ouvir o Srimad Bhagavatam das fontes certas (não de pessoas profissionais mas de uma pessoa que é Bhagavatam em vida) e estar sempre na associação de devotos puros, deve ser adotada com seriedade. Ninguém deve ser desviado pelos conceitos errados de "eu" e "meu". Os karmis gostam do conceito de "meu", os jñanis gostam do conceito de "eu", e ambos são desqualificados para ficarem livres do cativeiro da energia ilusória. Srimad Bhagavatam e, primariamente, o Bhagavad-gita são ambos destinados para liberarem uma pessoa do conceito errado de "eu" e "meu", e Srila Vyasadeva os transcreveu para a liberação das almas caídas. O ser vivo tem que estar situado na posição transcendental onde não há mais influência de tempo nem da energia material. Na vida condicionada o ser vivo está sujeito à influência de tempo no sonho de passado, presente e futuro. O especulador mental tenta conquistar a influência do tempo por especulações futuras de se tornar Vasudeva ou o Supremo Senhor ele próprio pelos meios de cultivar conhecimento e conquistar o ego. Mas o processo não é perfeito. O processo perfeito é aceitar o Senhor Vasudeva como o Supremo em tudo, e a melhor perfeição em cultivar conhecimento é se render a Ele porque Ele é a fonte de tudo. Somente nesse conceito qualquer um pode se livrar do conceito errado de eu e meu. Ambos Bhagavad-gita e o Srimad Bhagavatam confirmam isso. Srila Vyasadeva contribuiu especificamente para os seres vivos iludidos a ciência de Deus e o processo de bhakti-yoga em sua grande literatura Srimad Bhagavatam, e a alma condicionada deve aproveitar a vantagem plenamente desta grande ciência. Verso 4 ätma-tattva-viçuddhy-arthaà Ó Rei, a Personalidade de Deus, muito satisfeito com o Senhor Brahma por causa de sua penitência não enganosa em bhakti-yoga, apresentou Sua forma eterna e transcendental perante Brahma. E essa é a meta objetiva para purificar a alma condicionada. Iluminação de Srila Prabhupada: Atma-tattva é a ciência de ambos Deus e o ser vivo. Ambos o Supremo Senhor e o ser vivo são conhecidos como atma, o brahma, ou o jiva. Ambos o Paramatma e o jivatma, por serem transcendentais à energia material, são chamados atma. Por isso Shukadeva Goswami explica este verso com o objetivo de purificar a verdade de ambos o Paramatma e o jivatma. Geralmente pessoas têm muitos conceitos errados sobre ambos. O conceito errado do jivatma é identificar o corpo material com a alma pura, e o conceito errado do Paramatma é pensar Nele num nível igual com o ser vivo. Porém ambos conceitos errados podem ser removidos com um único golpe de bhakti-yoga, justamente igual na luz solar ambos o Sol e o mundo e tudo mais dentro da luz solar são vistos apropriadamente. Na escuridão ninguém pode ver o Sol, si mesmo e o mundo a sua volta. Srila Shukadeva Goswami por isso diz que para purificação de ambos conceitos errados, o Senhor apresentou Sua forma eterna perante Brahmaji, por estar plenamente satisfeito com o voto não enganoso de desempenhar bhakti-yoga. Exceto por bhakti-yoga, qualquer método de realização de atma-tattva, ou a ciência do atma, provará ser enganoso a longo prazo. No Bhagavad-gita, o Senhor diz que somente por bhakti-yoga qualquer um pode conhecê-Lo perfeitamente, e então pode entrar dentro da ciência de Deus. Brahmaji se submeteu a grande penitência no desempenho de bhakti-yoga, e assim ele foi capaz de ver a forma transcendental do Senhor. Sua forma transcendental é cem por cento espiritual, e qualquer um pode vê-Lo somente pela visão espiritualizada depois do desempenho apropriado de tapasya ou penitência em bhakti-yoga puro. A forma do Senhor manifestada perante Brahma não é uma das formas com a qual temos experiência no mundo material. Brahmaji não desempenhou tipos de penitência severos assim justamente para ver uma forma de produção material. Por isso a pergunta de Maharaja Parikshit sobre a forma do Senhor está respondida. A forma do Senhor é sac-cid-ananda (Bs. 5.1), ou eterna, plena de conhecimento e plena de bem-aventurança. Porém a forma material do ser vivo não é nem eterna, nem plena de conhecimento, nem bem-aventurada. Essa é a distinção entre a forma do Senhor e a da alma condicionada. A alma condicionada, entretanto, pode recuperar sua forma de conhecimento e bem-aventurança eternos simplesmente por ver o Senhor por meio de bhakti-yoga. O resumo é que por causa da ignorância a alma condicionada está enjaulada nas variedades temporárias de formas materiais. Porém o Supremo Senhor não tem uma forma temporária dessa igual as almas condicionadas. Ele é sempre o possuidor de uma forma eterna de conhecimento e bem-aventurança, e essa é a diferença entre o Senhor e o ser vivo. Pode-se entender essa diferença pelo processo de bhakti-yoga. Brahma foi então informado pelo Senhor a essência do Srimad Bhagavatam em quatro versos originais. Por isso Srimad Bhagavatam não é uma criação de especuladores mentais. O som do Srimad Bhagavatam é transcendental, e a ressonância do Srimad Bhagavatam é tão boa quanto a dos Vedas. Assim o tópico do Srimad Bhagavatam é a ciência de ambos o Senhor e o ser vivo. Leitura ou audição regular do Srimad Bhagavatam é também desempenho de bhakti-yoga, e qualquer um pode alcançar a perfeição mais elevada simplesmente pela associação do Srimad Bhagavatam. Ambos Shukadeva Goswami e Maharaja Parikshit alcançaram perfeição através do intermédio do Srimad Bhagavatam. Verso 5 sa ädi-devo jagatäà paro guruù O Senhor Brahma, o primeiro mestre espiritual, supremo no universo, não pôde rastrear a fonte de seu assento de lótus, e enquanto pensava sobre criar o mundo material, ele não pôde entender a direção apropriada para esse trabalho criativo, nem ele pôde encontrar o processo para essa criação. Iluminação de Srila Prabhupada: Este verso é o prelúdio para explicar a natureza transcendental da forma e morada do Senhor. No começo do Srimad Bhagavatam já foi dito que a Verdade Absoluta Suprema existe em Sua própria morada sem nenhum toque de energia enganosa. Por isso o reino de Deus não é um mito mas factualmente uma esfera diferente e transcendental de planetas conhecidos como Vaikunthas. Isso também será explicado neste capítulo. Esse conhecimento sobre o céu espiritual muito além deste céu material e sua parafernália só pode ser conhecido por meio de serviço devocional, ou bhakti-yoga. O poder de criação do Senhor Brahma também foi obtido por meio de bhakti-yoga. Brahmaji estava confuso na matéria da criação, e ele não conseguiu nem mesmo rastrear a fonte de sua própria existência. Porém todo esse conhecimento foi plenamente obtido por ele através do meio de bhakti-yoga. Por bhakti-yoga qualquer um pode conhecer o Senhor, e por conhecer o Senhor como o Supremo, qualquer um fica capacitado para conhecer tudo mais. Aquele que conhece o Supremo conhece tudo mais. Essa é a versão dos Vedas. Mesmo o primeiro mestre espiritual do universo foi iluminado pela graça do Senhor, assim quem mais pode alcançar conhecimento perfeito sobre tudo sem a misericórdia do Senhor? Se alguém deseja procurar conhecimento perfeito sobre tudo, deve procurar a misericórdia do Senhor, e não existe nenhum outro meio. Procurar conhecimento no poder de sua tentativa pessoal é uma completa perda de tempo. Verso 6 sa cintayan dvy-akñaram ekadämbhasy Enquanto absorto em pensar, dentro da água, Brahmaji ouviu duas vezes de perto duas sílabas postas juntas. Uma das sílabas foi pega da décima sexta e a outra da vigésima primeira dos alfabetos sparsa, e ambas juntadas para se tornarem a riqueza da ordem de vida renunciada. Iluminação de Srila Prabhupada: Na língua sânscrita, os alfabetos de consoantes são divididos em duas divisões, a saber os sparsa-varnas, e os talavya-varnas. De ka para ma as letras são conhecidas como as sparsa-varnas, e a décima sexta do grupo se chama ta, enquanto a vigésima primeira letra é chamada pa. Assim quando as duas são postas juntas, a palavra tapa, ou penitência, é construída. Essa penitência é a beleza e riqueza dos brahmanas e a ordem de vida renunciada. De acordo com a filosofia Bhagavata, cada ser humano é destinado simplesmente para esse tapa e para nenhum outro assunto, porque somente por penitência qualquer um pode realizar seu eu; e auto-realização, não prazer sensual, é a obrigação da vida humana. Esse tapa, ou penitência, começou desde o próprio início da criação, e foi adotado primeiramente pelo mestre espiritual supremo, Senhor Brahma. Somente por tapasya qualquer um pode obter o lucro da vida humana, e não por uma civilização polida de vida animal. O animal não conhece nada mais exceto prazer sensual nas jurisdições de comer, beber, acasalar e desfrutar. Mas o ser humano é feito para se submeter a tapasya para ir de volta ao Supremo, de volta ao lar. Quando o Senhor Brahma ficou perplexo sobre como construir as manifestações materiais dentro do universo e desceu abaixo dentro da água para encontrar os meios e a fonte de seu assento de lótus, ele ouviu a palavra tapa vibrada duas vezes. Adotar o caminho de tapa é o segundo nascimento para o discípulo desejoso. A palavra upasrnot é muito significativa. É similar a upanayana, ou trazer o discípulo para mais perto do mestre espiritual para o caminho de tapa. Assim Brahmaji foi iniciado dessa forma pelo Senhor Krishna, e esse ato é corroborado por Brahmaji ele mesmo em seu livro Brahma Samhita. No Brahma Samhita o Senhor Brahma cantou em cada verso govindam adi-purusam tam aham bhajami. Então Brahma foi iniciado pelo Krishna mantra, pelo Senhor Krishna Ele mesmo em pessoa, e assim ele se tornou um Vaishnava, ou um devoto do Senhor, antes dele ser capaz de construir um universo imenso. Está dito no Brahma Samhita que o Senhor Brahma foi iniciado dentro do Krishna mantra de dezoito letras, o que é geralmente aceito por todos devotos do Senhor Krishna. Nós seguimos o mesmo princípio porque nós pertencemos ao Brahma-sampradaya, diretamente na corrente discipular de Brahma para Narada, de Narada para Vyasa, de Vyasa para Madhwa Muni, de Madhwa Muni para Madhavendra Puri, de Madhavendra Puri para Ishvara Puri, de Ishvara Puri para o Senhor Chaitanya e gradualmente para Sua Divina Graça Bhaktisiddhanta Sarasvati, nosso mestre divino. Aquele que é iniciado na sucessão discipular é capaz de alcançar o mesmo resultado ou poder de criação. Cantar esse mantra sagrado é o único abrigo do devoto puro do Senhor sem desejos. Simplesmente por essa tapasya, ou penitência, o devoto do Senhor obtém todas perfeições igual o Senhor Brahma. Verso 7 niçamya tad-vaktå-didåkñayä diço Quando ele ouviu o som, tentou encontrar o orador, e procurou por todos lados. Mas quando foi incapaz de encontrar alguém além dele, achou sensato sentar em seu lótus firmemente e dar sua atenção para a execução de penitência, do modo como foi instruído. Iluminação de Srila Prabhupada: Para alcançar sucesso na vida, deve-se seguir o exemplo do Senhor Brahma, a primeira criatura viva no começo da criação. Depois de ser iniciado pelo Supremo Senhor para executar tapasya, ele estava fixo em sua determinação para fazer isso, e embora ele não conseguiu achar ninguém além dele mesmo, ele pôde entender corretamente que o som foi transmitido pelo Senhor Ele mesmo. Brahma era o único ser vivo naquele tempo porque não havia nenhuma outra criação e ninguém pôde ser achado ali exceto ele mesmo. No começo do Primeiro Canto, no Primeiro Capítulo, primeiro verso, do Srimad Bhagavatam, já foi mencionado que Brahma foi iniciado pelo Senhor de dentro. O Senhor está dentro de todo ser vivo como a Superalma, e Ele iniciou Brahma porque Brahma desejava receber a iniciação. O Senhor pode similarmente iniciar cada um que é inclinado para ter isso. Como já foi afirmado, Brahma é o mestre espiritual original do universo, e desde que ele foi iniciado pelo Senhor Ele mesmo, a mensagem do Srimad Bhagavatam desce abaixo pela sucessão discipular, e a fim de receber a mensagem verdadeira do Srimad Bhagavatam deve-se aproximar do elo atual, ou o mestre espiritual, na corrente de sucessão discipular. Depois de ser iniciado pelo mestre espiritual apropriado nessa corrente de sucessão, deve-se dedicar no desempenho de tapasya na execução do serviço devocional. Ninguém não deve, entretanto, pensar em si mesmo no nível de Brahma para ser iniciado diretamente pelo Senhor de dentro porque na era presente ninguém pode ser aceito como tão puro quanto Brahma. O posto de Brahma para presidir a criação do universo é oferecido ao ser vivo mais puro, e a menos que alguém seja qualificado dessa forma não pode esperar ser tratado igual Brahmaji diretamente. Porém qualquer um pode ter a mesma facilidade através dos devotos imaculados do Senhor, por meio de instruções das escrituras (como revelado no Bhagavad-gita e Srimad Bhagavatam especialmente), e também através do mestre espiritual fidedigno disponível para a alma sincera. O Senhor Ele mesmo aparece como o mestre espiritual para uma pessoa que é sincera no coração sobre servir o Senhor. Por isso o mestre espiritual fidedigno que aparece para encontrar o devoto sincero deve ser aceito como o mais confidencial e amado representante do Senhor. Se uma pessoa for posta sob a guia de um mestre espiritual fidedigno assim, pode-se aceitar sem nenhuma dúvida que a pessoa desejosa alcançou a graça do Senhor. Verso 8 divyaà sahasräbdam amogha-darçano O Senhor Brahma se submeteu a penitências por mil anos pelos cálculos dos semideuses. Ele ouviu essa vibração transcendental do céu, e ele a aceitou como divina. Assim ele controlou sua mente e sentidos, e as penitências que ele executou foram uma grande lição para os seres vivos. Por isso ele é conhecido como o maior dos ascetas. Iluminação de Srila Prabhupada: O Senhor Brahma ouviu o som oculto tapa, mas ele não viu a pessoa que vibrou o som. E mesmo assim aceitou a instrução como benéfica para ele, e então ele se dedicou em meditação por mil anos celestiais. Um ano celestial é igual a 6 x 30 x 12 x 1000 de nossos anos. Sua aceitação do som foi devido à sua visão pura da natureza absoluta do Senhor. E devido à sua visão correta, ele não fez distinção entre o Senhor e vibração sonora vinda Dele, mesmo embora Ele não estivesse presente pessoalmente. O melhor modo de entendimento é aceitar essa instrução divina, e Brahma, o mestre espiritual primordial de todos, é o exemplo vivo desse processo de receber conhecimento transcendental. A potência do som transcendental nunca é minimizada porque o vibrador está aparentemente ausente. Por isso Srimad Bhagavatam ou Bhagavad-gita ou qualquer escritura revelada no mundo nunca deve ser aceita como um som mundano ordinário sem potência transcendental. Deve-se receber o som transcendental da fonte correta, aceitá-lo como uma realidade e prosseguir a direção sem hesitação. O segredo do sucesso é receber o som da fonte certa que é um mestre espiritual fidedigno. Som manufaturado materialmente não tem nenhuma potência, e dessa forma, som aparentemente transcendental recebido de uma pessoa desautorizada também não tem nenhuma potência. Qualquer um deve se qualificar o bastante para discernir essa potência transcendental, e tanto por discriminar ou por chance afortunada se qualquer um for capaz de receber o som transcendental do mestre espiritual fidedigno, seu caminho da liberação está garantido. O discípulo, entretanto, deve estar pronto para executar a ordem do mestre espiritual fidedigno do mesmo modo como o Senhor Brahma executou a instrução de seu mestre espiritual, o próprio Senhor Ele mesmo. Seguir a ordem do mestre espiritual fidedigno é o único dever do discípulo, e essa execução completamente fiel da ordem do mestre espiritual fidedigno é o segredo do sucesso. O Senhor Brahma controlou seus dois graus de sentidos por meio da percepção sensorial e órgãos dos sentidos porque ele tinha que ocupar esses sentidos na execução da ordem do Senhor. Por isso controlar os sentidos significa ocupá-los no serviço transcendental do Senhor. A ordem do Senhor descende na sucessão discipular através do mestre espiritual fidedigno, e dessa forma execução da ordem do mestre espiritual fidedigno é controle dos sentidos de fato. Tal execução de penitência em fé e sinceridade plenas fizeram Brahma tão poderoso que ele se tornou o criador do universo. E porque ele foi capaz de alcançar esse poder, ele é chamado o melhor de todos tapasvis. Verso 9 tasmai sva-lokaà bhagavän sabhäjitaù A Personalidade de Deus, por estar muito satisfeito com a penitência do Senhor Brahma, ficou feliz em manifestar Sua morada pessoal, Vaikuntha, o planeta supremo acima de todos outros. Essa morada transcendental do Senhor é adorada por todas pessoas auto-realizadas livres de todos tipos de misérias e medo da existência ilusória. Iluminação de Srila Prabhupada: As dificuldades da penitência aceita pelo Senhor Brahma estavam certamente na linha do serviço devocional (bhakti). De outra forma não haveria nenhuma chance que Vaikunthaloka ou svalokam, as moradas pessoais do Senhor, ficariam visíveis para Brahmaji. As moradas pessoais do Senhor, conhecidas como Vaikunthas, não são nem mitológicas nem materiais, como concebido pelos impersonalistas. Mas realização das moradas transcendentais do Senhor é possível somente através do serviço devocional, e assim os devotos entram dentro dessas moradas. Há sem dúvida dificuldade em executar penitência. Porém a dificuldade aceita em executar bhakti-yoga é felicidade transcendental desde o próprio começo, enquanto a dificuldade da penitência em outros processos de auto-realização (jñana-yoga, dhyana-yoga etc.), sem nenhuma realização Vaikuntha, termina só em dificuldade e nada mais. Não há nenhum proveito em bater cascas sem grãos. Similarmente, não há nenhum proveito em executar penitências problemáticas além de bhakti-yoga para auto-realização. Executar bhakti-yoga é exatamente igual sentar no lótus que brotou do abdômen da Personalidade de Deus transcendental, porque o Senhor Brahma estava sentado lá. Brahmaji estava capacitado para satisfazer o Senhor, e o Senhor também estava satisfeito para mostrar a Brahmaji Sua morada pessoal. Srila Jiva Goswami, nos comentários da sua anotação Krama-sandharbha do Srimad Bhagavatam, cita citações da evidência Védica do Garga Upanishad. É dito que Yajñavalkya descreveu a morada transcendental do Senhor para Gargi, e que a morada do Senhor está situada acima do planeta mais elevado do universo, chamado Brahmaloka. Essa morada do Senhor, embora descrita em escrituras reveladas iguais Bhagavad-gita e o Srimad Bhagavatam, permanece apenas um mito para a classe de pessoas menos inteligentes com um pobre fundo de conhecimento. Aqui a palavra sva-drstavadbhih é muito significativa. Aquele que realmente realizou seu eu realiza a forma transcendental de seu próprio eu. Realização impessoal do eu e o Supremo não é completa, porque é justamente um conceito oposto de personalidades materiais. A Personalidade de Deus e as personalidades dos devotos do Senhor são todas transcendentais; elas não têm corpos materiais. O corpo material é carregado com cinco tipos de condições miseráveis, a saber, ignorância, conceito material, apego, ódio e absorção. Enquanto alguém estiver confuso por causa desses cinco tipos de misérias materiais, não há questão de entrar dentro dos Vaikunthalokas. O conceito impessoal do próprio eu é justamente a negação da personalidade material e está longe da existência positiva da forma pessoal. As formas pessoais da morada transcendental serão explicadas nos versos seguintes. Brahmaji também descreveu o planeta mais elevado do Vaikunthaloka como Goloka Vrindavana, onde o Senhor reside como um menino pastor de vacas que pastoreia vacas surabhi e rodeado por centenas de milhares de deusas da fortuna. cintämaëi-prakara-sadmasu kalpa-våkña- (Bs. 5.29) A afirmação do Bhagavad-gita, yad gatva na nivartante tad dhama paramam mama (Bg. 15.6), também é confirmada juntamente, param significa Brahman transcendental. Por isso, a morada do Senhor também é Brahman, não diferente da Suprema Personalidade de Deus. O Senhor é conhecido como Vaikuntha, e Sua morada também é conhecida como Vaikuntha. Essa realização e adoração Vaikuntha pode se tornar possível por forma e sentido transcendentais. Verso 10 pravartate yatra rajas tamas tayoù Nessa morada pessoal do Senhor, os modos materiais de ignorância e paixão não prevalecem, nem existe lá nenhuma das influências deles na bondade. Não existe nenhuma predominância da influência do tempo, o que dizer da energia externa, ilusória; ela não pode entrar naquela região. Sem discriminação, tanto os semideuses quanto os demônios adoram o Senhor como devotos. Iluminação de Srila Prabhupada: O reino de Deus, ou a atmosfera da natureza de Vaikuntha, que é chamado tripad-vibhuti, ou três vezes maior do que os universos materiais e é descrito aqui, e também no Bhagavad-gita, em resumo. Este universo, que contém bilhões de estrelas e planetas, é um dos bilhões de universos assim agrupados dentro do compasso do mahat-tattva. E todos esses milhões e bilhões de universos combinados juntos constituem apenas um quarto da magnitude da criação integral do Senhor. Existe o céu espiritual também; além deste céu estão os planetas espirituais sob os nomes de Vaikuntha, e todos eles constituem três quartos da criação inteira do Senhor. Criações de Deus são sempre inumeráveis. Mesmo as folhas de uma árvore não podem ser contadas por uma pessoa, nem pode contar os cabelos na sua cabeça. Entretanto, pessoas idiotas ficam enfatuadas com a idéia de se tornar o próprio Deus Ele mesmo, apesar de incapazes de criar um cabelo de seus próprios corpos. Humano pode descobrir tantos veículos maravilhosos de jornada, mas mesmo se ele alcançar a Lua por essa espaçonave muito anunciada, não pode permanecer lá. A pessoa sóbria, dessa forma, sem ser enfatuada, como se fosse o Deus do universo, cumpre as instruções da literatura Védica, o caminho mais fácil para adquirir conhecimento na transcendência. Assim, que nós conheçamos através da autoridade do Srimad Bhagavatam sobre a natureza e constituição do mundo transcendental além do céu material. Naquele céu as qualidades materiais especialmente os modos da ignorância e paixão, são completamente ausentes. O modo da ignorância influencia um ser vivo para o hábito de luxúria e ansiedade, e isso significa que nos Vaikunthalokas os seres vivos estão livres dessas duas coisas. Como confirmado no Bhagavad-gita, no estágio de vida brahma-bhuta (Bhag. 4.30.20) torna-se livre de ansiedade e lamentação. Assim a conclusão é que os habitantes dos planetas Vaikuntha são todos seres vivos brahma-bhuta, em contraste com as criaturas mundanas que estão todas comprimidas em ansiedade e lamentação. Quando alguém não está nos modos da ignorância e paixão, supõe-se que está situado no modo da bondade no mundo material. Bondade no mundo material também às vezes fica contaminada por toques dos modos da paixão e ignorância. No Vaikunthaloka, existe somente bondade. A situação toda lá é aquela de liberdade da manifestação ilusória da energia externa. Apesar da energia ilusória também ser parte e parcela do Supremo Senhor, energia ilusória é diferenciada do Senhor. A energia ilusória não é, entretanto, falsa, como alegado pelos filósofos monistas. Uma corda aceita como uma serpente pode ser uma ilusão para uma pessoa particular, porém a corda é um fato, e a serpente também é um fato. A ilusão da água no deserto quente pode ser ilusão para o animal ignorante que procura água dentro do deserto, porém o deserto e água são fatos reais. Por isso a criação material do Senhor pode ser uma ilusão para o não devoto, mas para um devoto mesmo a criação material do Senhor é um fato, como a manifestação de Sua energia externa. Mas essa energia do Senhor não é tudo. O Senhor também tem Sua energia interna, a qual tem outra criação conhecida como os Vaikunthalokas, onde não existe nenhuma ignorância, nenhuma paixão, nenhuma ilusão e nenhum passado e presente. Com um pobre fundo de conhecimento ninguém pode ser capaz de entender a existência de tais coisas como a atmosfera Vaikuntha, mas isso não nulifica sua existência. Porque espaçonave não pode alcançar esses planetas não significa que esses planetas não existem, porque eles são descritos nas escrituras reveladas. Como citado por Srila Jiva Goswami, podemos aprender do Narada-pañcharatra que o mundo transcendental ou atmosfera Vaikuntha é enriquecida com qualidades transcendentais. Essas qualidades transcendentais, como é revelado através do serviço devocional do Senhor, são distintas das qualidades mundanas de ignorância, paixão e bondade. Essas qualidades não são obteníveis para a classe de pessoas não devotas. No Padma Purana, Uttara-khanda, está afirmado que além do um quarto da criação de Deus está a manifestação de três quartos. A linha marginal entre a manifestação material e a manifestação espiritual é o Rio Viraja, e além do Viraja, o qual é a corrente transcendental que flui da transpiração do corpo do Senhor, existe a manifestação de três quartos da criação de Deus. Essa parte é eterna, perpétua, sem deterioração, e ilimitada, e contém o estágio de perfeição mais elevado de condições de vida. No Sankhya-kaumudi está afirmado que bondade imaculada ou transcendência é justamente o oposto aos modos materiais. Todos os seres vivos lá estão eternamente associados sem nenhuma interrupção, e o Senhor é a entidade líder e primordial. Nos Agama Puranas também, a morada transcendental é descrita a seguir: Os membros associados estão livres para ir a qualquer lugar dentro da criação do Senhor, e não existe limite para essa criação, particularmente dentro da região da magnitude de três quartos. Porque a natureza dessa região é ilimitada, não existe nenhuma história dessa associação, nem tem fim para ela. A conclusão pode ser extraída que por causa da ausência total das qualidades mundanas de ignorância e paixão, não há questão de criação nem de aniquilação. No mundo material tudo é criado, e tudo é aniquilado, e a duração da vida entre a criação e aniquilação é temporária. No reino transcendental não existe nenhuma criação e nenhuma destruição, e assim a duração da vida é eterna ilimitadamente. Em outras palavras, tudo no mundo transcendental é perpétuo, pleno de conhecimento e bem-aventurança sem deterioração. Porque não existe deterioração, não existe nenhum passado, presente e futuro na estimativa do tempo. Está claramente afirmado neste verso que a influência do tempo é conspícua pela sua ausência. A existência material integral é manifestada por ações e reações dos elementos os quais tornam a influência do tempo proeminente na matéria de passado, presente e futuro. Não existem tais ações e reações de causa e efeitos lá, assim o ciclo de nascimento, crescimento, existência, transformações, deterioração e aniquilação - as seis mudanças materiais - não são existentes ali. É a manifestação imaculada da energia do Senhor, sem ilusão como experimentada aqui no mundo material. A existência Vaikuntha integral proclama que cada um ali é um seguidor do Senhor. O Senhor é o líder chefe lá, sem nenhuma competição para liderança, e as pessoas em geral são todos seguidores do Senhor. Está confirmado nos Vedas, dessa forma, que o Suprema Personalidade de Deus é o líder chefe e todos outros seres vivos são subordinados a Ele, porque somente o Senhor satisfaz todas necessidades de todos outros seres vivos. Verso 11 çyämävadätäù çata-patra-locanäù Os habitantes dos planetas Vaikuntha são descritos como possuidores de uma coloração azul celeste brilhante. Seus olhos parecem flores de lótus, sua roupa é de cor amarelada, e suas características corpóreas são muito atraentes. Eles estão justamente na idade de jovens em crescimento, todos eles têm quatro mãos, todos eles são belamente decorados com colares de pérolas com medalhões ornamentais, e todos eles parecem ser refulgentes. Iluminação de Srila Prabhupada: Os habitantes de Vaikunthaloka são todos personalidades com características corpóreas espirituais que não se encontram no mundo material. Nós podemos achar as descrições nas escrituras reveladas igual Srimad Bhagavatam. Descrições impessoais da transcendência nas escrituras indicam que as características corpóreas em Vaikunthaloka nunca são para serem vistas em qualquer parte do universo. Do mesmo modo que há diferentes características corpóreas em diferentes lugares de um planeta particular, ou como existem características corpóreas diferentes entre corpos de planetas diferentes, similarmente as características corpóreas dos habitantes em Vaikunthaloka são completamente diferentes daquelas dentro do universo material. Por exemplo, as quatro mãos são distintas das duas mãos dentro deste mundo. Verso 12 praväla-vaidürya-måëäla-varcasaù Alguns deles são refulgentes igual coral e diamantes em coloração e têm grinaldas sobre suas cabeças, florescentes igual flores de lótus, e alguns usam brincos. Iluminação de Srila Prabhupada: Existem alguns habitantes que alcançaram a liberação de sarupya, ou possuir características corpóreas iguais a da Personalidade de Deus. O diamante vaidurya é especialmente destinado para a Personalidade de Deus, porém qualquer um que obtém a liberação de igualdade corpórea com o Senhor é especialmente favorecido com esses diamantes no seu corpo. Verso 13 bhräjiñëubhir yaù parito viräjate Os planetas Vaikuntha também são rodeados por vários aeroplanos, todos situados radiantes e brilhantes. Esses aeroplanos pertencem aos grandes mahatmas ou devotos do Senhor. As damas são tão belas quanto o relâmpago por causa de suas compleições celestiais, tudo isso combinados juntos parecem justamente igual o céu decorado com ambos nuvens e relâmpagos. Iluminação de Srila Prabhupada: Parece que nos planetas Vaikuntha também existem aeroplanos que brilham radiantes, e eles são ocupados pelos grandes devotos do Senhor com damas de beleza celestial tão brilhantes quanto relâmpago. Do mesmo modo como há aeroplanos, assim também tem que haver diferentes tipos de carruagens iguais aeroplanos, mas não pode haver máquinas dirigíveis, como temos experiência dentro deste mundo material. Porque tudo é da mesma natureza de eternidade, bem-aventurança e conhecimento, os aeroplanos e carruagens são da mesma qualidade de Brahman. Embora não exista nada mais exceto Brahman, ninguém deve pensar erroneamente que só existe vazio e nenhuma variedade. Pensar dessa forma é por causa de um pobre fundo de conhecimento; de outra forma ninguém tem um conceito errado de vazio desse no Brahman. Do mesmo modo como há aeroplanos, damas e cavalheiros, também tem que existir cidades e casas e tudo mais justamente adequados para os planetas particulares. Ninguém deve carregar as idéias de imperfeição deste mundo para o mundo transcendental e não levar em consideração a natureza da atmosfera, que é completamente livre da influência de tempo etc., como descrito previamente. Verso 14 çrér yatra rüpiëy urugäya-pädayoù A deusa da fortuna em sua forma transcendental está dedicada no serviço amoroso dos pés de lótus do Senhor, e movida pelas abelhas negras, seguidoras da primavera, ela não está somente absorta em prazer variado - serviço para o Senhor, junto com suas companheiras constantes - mas também está absorta em cantar as glórias do Senhor. Verso 15 dadarça taträkhila-sätvatäà patià O Senhor Brahma viu nos planetas Vaikuntha a Personalidade de Deus, que é o Senhor da comunidade de devotos inteira, o Senhor da deusa da fortuna, o Senhor de todos sacrifícios, e o Senhor do universo, e aquele que é servido pelos servidores principais tais quais Nanda, Sunanda, Prabala e Arhana, Seus associados imediatos. Iluminação de Srila Prabhupada: Quando falamos de um rei entende-se naturalmente que o rei é acompanhado por seus associados confidenciais, tais quais seu secretário, secretário particular, ajudante de campo, ministros e conselheiros. Assim também quando vemos o Senhor nós O vemos com Suas diferentes energias, associados, servidores confidenciais etc.. Assim o Supremo Senhor, que é o líder de todos seres vivos, o Senhor de todas seitas de devotos, o Senhor de todas opulências, o Senhor dos sacrifícios e o desfrutador de tudo em Sua criação inteira, não é apenas a Pessoa Suprema, mas também está sempre rodeado por Seus associados imediatos, todos absortos em seu serviço amoroso transcendental para Ele. Verso 16 bhåtya-prasädäbhimukhaà dåg-äsavaà A Personalidade de Deus, visto a inclinar-Se favoravelmente para Seus servidores amorosos, Sua própria visão inebriante e atraente, parecia estar muito satisfeito. Ele tinha uma face sorridente decorada com um encantador tom avermelhado. Ele estava vestido com roupas amareladas e usava brincos e um elmo sobre Sua cabeça. Ele tinha quatro mãos, e Seu peito estava marcado com as linhas da deusa da fortuna. Iluminação de Srila Prabhupada: No Padma Purana, Uttara-khanda, há uma descrição completa do yoga-pitha, ou o lugar particular onde o Senhor está em audiência com Seus devotos eternos. Nesse yoga-pitha, as personificações da religião, conhecimento, opulência e renúncia estão todos sentados aos pés de lótus do Senhor. Os quatro Vedas, a saber, Rik, Sama, Yajur e Atharva, estão presentes lá pessoalmente para aconselhar o Senhor. As dezesseis energias lideradas por Chanda estão todas presentes lá. Chanda e Kumuda são os dois primeiros porteiros, na porta do meio estão os porteiros chamados Bhadra e Subhadra, e na última porta estão Jaya e Vijaya. Existem outros porteiros também, chamados Kumuda, Kumudasa, Pundarika, Vamana, Shankukarna, Sarvanetra, Sumukha etc.. O palácio do Senhor é bem decorado e protegido pelos porteiros mencionados acima. Verso 17 adhyarhaëéyäsanam ästhitaà paraà O Senhor estava sentado em Seu trono e estava rodeado por diferentes energias tais quais, as quatro, as dezesseis, as cinco, e as seis opulências naturais, junto com outras energias insignificantes de caráter temporário. Todavia Ele era o Supremo Senhor de fato, que desfrutava Sua própria morada. Iluminação de Srila Prabhupada: O Senhor é naturalmente dotado com Suas seis opulências. Especificamente, Ele é o mais rico, Ele é o mais poderoso, Ele é o mais famoso, Ele é o mais belo, Ele é o maior em conhecimento, e Ele é o maior dos renunciados também. E para Sua energias criativas, Ele é servido por quatro, a saber, os princípios de prakrti, purusa, mahat-tattva e ego. Ele também é servido pelos dezesseis, a saber, os cinco elementos (terra, água, ar, fogo e céu), os cinco órgãos de percepção (o olho, ouvido, nariz, língua e pele), e os cinco órgãos de trabalho (a mão, a perna, o estômago, o orifício de evacuação e os genitais), e a mente. Os cinco incluem os objetos dos sentidos, a saber, forma, paladar, olfato, audição e tato. Todos esses vinte e cinco itens servem o Senhor na criação material, e todos eles estão presentes para servir o Senhor. As opulências insignificantes com número de oito (os asta-siddhis, obtidos pelos yogis para soberania temporária) também estão sob Seu controle, porém Ele é naturalmente pleno com todos esses poderes sem nenhum esforço, e por isso Ele é o Supremo Senhor. Os seres vivos, por penitência severa e desempenho de exercícios corpóreos, podem obter temporariamente alguns poderes maravilhosos, porém isso não o transforma no Supremo Senhor. O Supremo Senhor, por Sua própria potência, é ilimitadamente mais poderoso do que qualquer yogi, Ele é ilimitadamente mais erudito do que qualquer jñani, Ele é ilimitadamente mais rico do que qualquer pessoa rica, Ele é ilimitadamente mais bonito do que qualquer ser vivo belo, e Ele é ilimitadamente mais caridoso do que qualquer filantropo. Ele está acima de todos; e ninguém é igual ou maior do que Ele. Nem ninguém pode alcançar Seu nível de perfeição em nenhum dos poderes acima por nenhuma quantidade de penitência ou demonstrações de yoga. Os yogis dependem da misericórdia Dele. Por causa de Sua imensa disposição caridosa Ele pode conceder alguns poderes temporários para os yogis porque os yogis anseiam por eles, todavia para Seus devotos imaculados, que não querem nada do Senhor salvo e exceto Seu serviço transcendental, o Senhor fica tão satisfeito que Ele Se dá a Si mesmo em intercâmbio para Seu devoto imaculado. Verso 18 tad-darçanähläda-pariplutäntaro O Senhor Brahma, ao ver a Personalidade de Deus em Sua plenitude, ficou extasiado com alegria dentro do seu coração, e assim com amor e êxtase transcendentais plenos, com seus olhos cheios de lágrimas de amor. Ele assim se prostrou perante o Senhor. Esse é o caminho da perfeição mais elevada para o ser vivo (paramahamsa). Iluminação de Srila Prabhupada: No começo do Srimad Bhagavatam está afirmado que esta grande literatura é destinada para os paramahamsas. Paramo nirmatsaranam satam (Bhag. 1.1.2), isto é, o Srimad Bhagavatam é destinado para pessoas completamente livres de malícia. Na vida condicionada a vida maliciosa começa do topo, a saber, demonstrando malícia contra a Suprema Personalidade de Deus. A Personalidade de Deus é um fato estabelecido em todas escrituras reveladas, e no Bhagavad-gita o aspecto pessoal do Supremo Senhor é especialmente mencionado, tanto que qualquer um deve se render à Personalidade de Deus para ser salvo das misérias da vida. Infelizmente, pessoas com formação impiedosa não acreditam na Personalidade de Deus, e todos querem se tornar o próprio Deus sem nenhuma qualificação. A natureza maliciosa da alma condicionada continua mesmo acima até o estágio quando a pessoa quer ser una com o Senhor, e assim mesmo o maior de todos filósofos empíricos que especula sobre se tornar uno com o Supremo Senhor não pode se tornar um paramahamsa porque a mente maliciosa está ali. Por isso o estágio de vida paramahamsa só pode ser atingido por aqueles que estão fixos na prática de bhakti-yoga. Esse bhakti-yoga começa se uma pessoa tem a convicção firme que simplesmente por desempenhar serviço devocional para o Senhor em amor transcendental pleno pode elevá-la para o estágio de vida da perfeição mais elevada. Brahmaji acreditava nessa arte de bhakti-yoga; ele acreditou na instrução do Senhor para executar tapa, e ele desempenhou a função com grande penitência e assim alcançou grande sucesso em ver os Vaikunthalokas e o Senhor também por sua experiência pessoal. Ninguém pode alcançar a morada do Supremo Senhor por nenhum meio mecânico da mente ou máquina, porém qualquer um pode alcançar a morada dos Vaikunthalokas simplesmente por seguir o processo de bhakti-yoga com grande seriedade porque o Senhor pode ser realizado somente através do processo de bhakti-yoga. O Senhor Brahmaji na realidade estava sentado em seu assento de lótus, e de lá, por executar o processo de bhakti-yoga com grande seriedade, ele pôde ver os Vaikunthalokas com toda variedade e também o Senhor em pessoa com Seus associados. Por seguir os passos do Senhor Brahma, qualquer pessoa, mesmo até os dias de hoje, pode alcançar a mesma perfeição por seguir o caminho do paramahamsa como recomendado aqui. O Senhor Chaitanya também aprovou esse método de auto-realização para pessoas desta era. Qualquer um tem que primeiro, com toda convicção, acreditar na Personalidade de Deus Sri Krishna, e sem fazer esforços para realizá-Lo por filosofia especulativa, qualquer um deve preferir ouvir sobre Ele do Srimad Bhagavad-gita e mais tarde do texto do Srimad Bhagavatam. É preciso ouvir esses discursos de uma pessoa Bhagavatam e não de uma pessoa profissional, ou do karmi, jñani ou yogi. Esse é o segredo para aprender a ciência. Não é necessário estar na ordem de vida renunciada; pode permanecer em sua condição de vida presente, porém deve procurar a associação de um devoto fidedigno do Senhor e ouvir dele a mensagem transcendental do Senhor com fé e convicção. Esse é o caminho do paramahamsa recomendado aqui. Entre vários santos nomes do Senhor, Ele também é chamado de ajita, ou aquele que nunca pode ser conquistado por ninguém mais. Mesmo assim Ele pode ser conquistado pelo caminho paramahamsa, como foi realizado praticamente e mostrado pelo grande mestre espiritual Senhor Brahma. O Senhor Brahma recomendou pessoalmente esse paramahamsa-panthah com suas próprias palavras a seguir: jïäne prayäsam udapäsya namanta eva O Senhor Brahma disse: "Ó meu Senhor Krishna, um devoto que abandona o caminho da especulação filosófica que almeja imergir na existência do Supremo e se dedica a ouvir Sua glórias e atividades de um sadhu fidedigno, ou santo, e que vive uma vida honesta na obrigação ocupacional da sua vida social, pode conquistar Sua simpatia e misericórdia mesmo embora Você seja ajita, ou inconquistável" (Bhag. 10.14.3). Esse é o caminho dos paramahamsas, que foi seguido pessoalmente pelo Senhor Brahma e mais tarde recomendado por ele para o alcance do sucesso perfeito na vida. Verso 19 taà préyamäëaà samupasthitaà kavià E ao ver Brahma presente diante Dele, o Senhor o aceitou como digno para criar seres vivos, para serem controlados como Ele desejou, e por estar muito satisfeito com ele, o Senhor apertou as mãos de Brahma e, com um sorriso suave, falou com ele a seguir. Iluminação de Srila Prabhupada: A criação do mundo material não é cega ou acidental. Os seres vivos que são sempre condicionados, ou nitya-baddha, assim recebem uma chance para liberação sob a guia de Seu representante pessoal tal qual Brahma. O Senhor instrui Brahma no conhecimento Védico com o propósito de difundir este conhecimento para as almas condicionadas. As almas condicionadas são almas esquecidas da sua relação com o Senhor, e por isso um período de criação e o processo de disseminação do conhecimento Védico são atividades necessárias do Senhor. O Senhor Brahma tem uma grande responsabilidade em liberar as almas condicionadas, e por isso ele é muito querido pelo Senhor. Brahma também faz seu dever muito perfeitamente, não somente por gerar os seres vivos mas também por propagar seu partido para resgatar as almas caídas. O partido se chama o Brahma-sampradaya, e qualquer membro do partido até a presente data está naturalmente engajado em resgatar as almas caídas de volta ao Supremo, de volta ao lar. O Senhor é sempre muito ansioso para ter de volta Suas partes e parcelas, como afirmado no Bhagavad-gita. Ninguém é mais querido do que aquele que assume a tarefa de resgatar as almas caídas de volta ao Supremo. Existem muitos renegados do Brahma-sampradaya cujo único negócio é fazerem pessoas mais esquecidas do Senhor e assim enredá-las cada vez mais na existência material. Essas pessoas nunca são queridas pelo Senhor, e o Senhor as envia para o fundo da região mais escura da matéria para que tais demônios invejosos não sejam capazes de conhecer o Supremo Senhor. Qualquer um, entretanto, que prega a missão do Senhor na linha do Brahma-sampradaya é sempre querido pelo Senhor, e o Senhor, por estar satisfeito com um pregador assim do culto de bhakti autorizado, aperta sua mão com grande satisfação. Verso 20 çré-bhagavän uväca A bela Personalidade de Deus falou com o Senhor Brahma: Ó Brahma, impregnado com os Vedas, Eu estou muito satisfeito com sua longa penitência acumulada com o desejo para criação. Eu sou bastante insatisfeito com pseudos místicos. Iluminação de Srila Prabhupada: Existem dois tipos de penitência: uma para prazer sensual e a outra para auto-realização. Existem muitos pseudos místicos que se submetem a penitências severas para a sua própria satisfação, existem outros que se submetem a penitências sevaras para a satisfação dos sentidos do Senhor. Por exemplo, penitências assumidas para descobrir armas nucleares nunca satisfarão o Senhor porque essa penitência nunca é satisfatória. Pelo modo próprio da natureza, todos têm que encontrar a morte, e se esse processo da morte é acelerado pelas penitências de qualquer um, não tem nenhuma satisfação para o Senhor. O Senhor quer que cada uma de Suas partes e parcelas alcance vida eterna e bem-aventurança por voltar ao Supremo, e a criação material integral é destinada para esse objetivo. Brahma se submeteu a penitências severas para esse propósito, a saber, regulamentar o processo da criação para que o Senhor pudesse ficar satisfeito. Por isso o Senhor estava muito satisfeito com ele, e por causa disso Brahma foi impregnado com conhecimento Védico. O propósito último do conhecimento Védico é conhecer o Senhor e não mal usar o conhecimento para quaisquer outros propósitos. Aqueles que não utilizam conhecimento Védico para esse propósito são conhecidos como kuta-yogis, ou pseudos transcendentalistas que arruínam suas vidas com motivos ulteriores. Verso 21 varaà varaya bhadraà te Eu desejo a você boa sorte. Ó Brahma, você pode Me pedir, o doador de toda bênção, tudo que você possa desejar. Você pode saber que a bênção final, como resultado de todas penitências, é Me ver por realização. Iluminação de Srila Prabhupada: A realização final da Verdade Suprema é conhecer e ver face a face a Personalidade de Deus. Realização dos aspectos do Brahman impessoal e Paramatma localizado da Personalidade de Deus não é a realização final. Quando alguém realiza o Supremo Senhor, ele não luta duro para executar essas penitências. O próximo estágio da vida é desempenhar serviço devocional para o Senhor justamente para satisfazê-Lo. Em outras palavras, qualquer um que realizou e viu o Supremo Senhor alcançou toda perfeição porque tudo está incluído nesse estágio de perfeição mais elevado. Os impersonalistas e os pseudos místicos, entretanto, nunca podem alcançar esse estado. Verso 22 manéñitänubhävo 'yaà A mais alta perfeição criativa é a percepção pessoal das Minhas moradas, e isso foi possível por causa da sua atitude submissa no desempenho de austeridades severas de acordo com Minha ordem. Iluminação de Srila Prabhupada: O estágio de perfeição da vida mais elevado é conhecer o Senhor pela percepção real, pela graça do Senhor. Isso pode ser atingido por qualquer um que deseja desempenhar o ato do serviço devocional do Senhor como ordenado nas escrituras reveladas que são padrão e aceitas pelos acaryas fidedignos, mestres espirituais. Por exemplo, o Bhagavad-gita é a literatura Védica aprovada aceita por todos os grandes acaryas, tais quais Shankara, Ramanuja, Madhwa, Chaitanya, Vishvanatha, Baladeva, Siddhanta Sarasvati e muitos outros. No Bhagavad-gita a Personalidade de Deus, Senhor Krishna, pede que qualquer um sempre seja consciente Dele, sempre seja Seu devoto, sempre adore Ele unicamente, e sempre se prostre perante o Senhor. E por fazer isso qualquer um com certeza irá de volta ao lar, de volta ao Supremo, sem nenhuma dúvida. Em outros locais também a mesma ordem está lá, que qualquer um abandone todos seus outros compromissos e se renda plenamente ao Senhor sem hesitação. E o Senhor dará para esse devoto toda proteção. Esses são os segredos para alcançar o estágio de perfeição mais alto. O Senhor Brahma seguiu exatamente esses princípios sem nenhum complexo de superioridade, e assim ele obteve o estágio de perfeição mais elevado de experimentar a morada do Senhor e o Senhor Ele mesmo em pessoa com toda Sua parafernália. Realização impessoal da refulgência do corpo do Senhor não é o estágio de perfeição mais alto, nem é o estágio de realização Paramatma. A palavra manisita é significativa. Qualquer um é falsamente ou realmente orgulhoso de seu assim chamado aprendizado. Porém o Senhor diz que o estágio de perfeição mais elevado do aprendizado é conhecê-Lo e Sua morada, desprovido de ilusão. Verso 23 pratyädiñöaà mayä tatra Ó Brahma sem pecado, você deve saber de Mim que fui Eu quem primeiro ordenou você para se submeter a penitência quando você estava perplexo em seu dever. Essa penitência é Meu coração e alma, e por isso penitência e Eu não somos diferentes. Iluminação de Srila Prabhupada: A penitência pela qual qualquer um pode ver a Personalidade de Deus face a face deve ser entendida como serviço devocional para o Senhor e nada mais porque somente por desempenhar serviço devocional em amor transcendental qualquer um pode se aproximar do Senhor. Essa penitência é a potência interna do Senhor e não é diferente Dele. Esses atos da potência interna são exibidos pelo não apego a prazer material. Os seres vivos estão enjaulados nas condições do cativeiro material por causa de sua propensão de soberania. Porém pela ocupação do serviço devocional do Senhor qualquer um fica desapegado desse espírito de desfrute. Os devotos ficam automaticamente desapegados do prazer mundano, e esse desapego é o resultado do conhecimento perfeito. Por isso a penitência do serviço devocional inclui conhecimento e desapego, e essa é a manifestação da potência transcendental. Ninguém pode desfrutar prosperidade ilusória material se deseja retornar ao lar, de volta ao Supremo. Aquele que não tem nenhuma informação da bem-aventurança transcendental na associação do Senhor tolamente deseja desfrutar esta felicidade material temporária. No Chaitanya-charitamrita está dito que se alguém sinceramente que ver o Senhor e ao mesmo tempo quer desfrutar este mundo material, ele é considerado um idiota apenas. Aquele que quer permanecer aqui no mundo material para prazer material não tem nada a ver com entrar dentro do reino eterno de Deus. O Senhor favorece esse devoto tolo por arrebatar tudo que ele possa possuir dentro do mundo material. Se um devoto idiota do Senhor assim tentar reocupar sua posição, novamente o Senhor misericordioso arrebata tudo que ele possa ter possuído. Por essas falhas repetidas na prosperidade material ele se torna muito impopular com seus membros familiares e amigos. No mundo material os membros familiares e amigos honram pessoas que são muito bem sucedidas em acumular riqueza por quaisquer meios. O devoto tolo do Senhor é assim colocado em penitência forçada pela graça do Senhor, e no fim o devoto se torna perfeitamente feliz, por estar dedicado no serviço do Senhor. Por isso penitência no serviço devocional do Senhor, tanto por submissão voluntária quanto por ser forçado pelo Senhor, é necessária para alcançar perfeição, e assim penitência é a potência interna do Senhor. Ninguém pode, entretanto, ficar engajado em penitência do serviço devocional sem estar completamente livre de todos pecados. Como está afirmado no Bhagavad-gita, somente a pessoa que está completamente livre de todas reações dos pecados pode se ocupar na adoração do Senhor. Brahmaji era sem pecado, e por isso ele desempenhou fielmente o conselho do Senhor, "tapa tapa", e o Senhor por estar satisfeito com ele, concedeu-lhe o resultado desejado. Por isso somente amor e penitência combinados podem satisfazer o Senhor, e assim qualquer um é capaz de obter Sua misericórdia completa. Ele dirige o sem pecado, e o devoto sem pecado atinge a perfeição mais elevada da vida. Verso 24 såjämi tapasaivedaà Eu crio este cosmos por essa penitência, Eu o mantenho pela mesma energia, e Eu o retiro pela mesma energia. Por isso o poder potencial é penitência somente. Iluminação de Srila Prabhupada: Em executar penitência, qualquer um deve estar determinado para retornar ao lar, de volta ao Supremo, e tem que decidir a se submeter a todos tipos de tribulações para esse fim. Mesmo para prosperidade, nome e fama materiais, qualquer um tem que se submeter a tipos severos de penitência, de outra forma ninguém pode se tornar uma figura importante neste mundo material. Por que, então, existem tipos severos de penitência para a perfeição do serviço devocional? Uma vida fácil e alcance da perfeição na realização transcendental não podem ir juntos. O Senhor é mais esperto do que qualquer ser vivo; por isso Ele quer ver o quanto diligente é o devoto em seu serviço devocional. A ordem é recebida do Senhor, tanto diretamente quanto através do mestre espiritual fidedigno, e para executar essa ordem, por mais meticulosa, é o tipo severo de penitência. Aquele que segue o princípio rigidamente certamente alcançará o sucesso em obter a misericórdia do Senhor. Verso 25 brahmoväca O Senhor Brahma disse: Ó Personalidade de Deus, Você está situado no coração de todos como o diretor supremo, e por isso Você é consciente de todos esforços pela Sua inteligência superior, sem qualquer impedimento. Iluminação de Srila Prabhupada: O Bhagavad-gita confirma que o Senhor está situado no coração de todos como a testemunha, e dessa forma Ele é o diretor supremo da sansão. O diretor não é o desfrutador dos frutos da ação, porque sem a sanção do Senhor ninguém pode desfrutar. Por exemplo, numa área proibida um bêbado habitual apresenta sua petição para o diretor da bebida, e o diretor, ao considerar seu caso, sanciona apenas uma certa quantidade de bebida alcoólica para beber. Similarmente o mundo material inteiro está cheio de muitos bêbados, no sentido de que cada um e todo dos seres vivos tem alguma coisa na sua mente para desfrutar, e todos desejam a satisfação de seus desejos muito fortemente. O Senhor todo-poderoso, por ser muito bom para o ser vivo, igual o pai é bom para o filho, satisfaz o desejo do ser vivo para sua satisfação infantil. Com esses desejos na mente, o ser vivo não desfruta na realidade, mas serve os caprichos do corpo desnecessariamente, sem proveito. O bêbado não obtêm nenhum proveito de beber, mas porque ele se tornou um servo do hábito de beber e não deseja sair disso, a misericórdia do Senhor dá a ele todas facilidades para satisfazer esses desejos. Os impersonalistas recomendam que se deve tornar sem desejo, e outros recomendam banir todos desejos juntos. Isso é impossível; ninguém pode banir desejos todos juntos porque desejar é o sintoma de vida. Sem ter desejos um ser vivo estaria morto, o que ele não está. Por isso, condições de vida e desejos vão juntos. Perfeição dos desejos pode ser alcançada quando alguém deseja servir o Senhor, e o Senhor também quer que cada ser vivo faça o banimento de todos desejos pessoais e coopere com Seus desejos. Essa é a última instrução do Bhagavad-gita. Brahmaji concordou com essa proposta, e por isso foi dado a ele o posto responsável por criar gerações dentro do universo vazio. Unidade com o Senhor dessa forma consiste em encaixar seus desejos com os desejos do Supremo Senhor. Isso faz a perfeição de todos desejos. O Senhor, como a Superalma dentro do coração de cada ser vivo, sabe o que está na mente de cada ser vivo, e ninguém pode fazer nada sem o conhecimento do Senhor no interior. Por Sua inteligência superior, o Senhor dá a todos a chance de satisfazer seus desejos até a extensão máxima, e a reação resultante também é concedida pelo Senhor. Verso 26 tathäpi näthamänasya Apesar disso, meu Senhor, eu rogo para Você que gentilmente satisfaça meu desejo. Que eu possa ser informado como, apesar de Sua forma transcendental, Você assume a forma mundana, embora Você não tenha nenhuma forma desse tipo. Verso 27 yathätma-mäyä-yogena E (por favor me informe) como Você, pelo Seu próprio Eu, manifesta diferentes energias para aniquilação, geração, aceitação e manutenção por combinação e permutação. Iluminação de Srila Prabhupada: A manifestação integral é o Senhor Ele mesmo pela difusão de Suas energias diferentes somente, a saber, a interna, externa e marginal, justamente igual a luz solar é a manifestação da energia do planeta Sol. Essa energia é simultaneamente una com e diferente do Senhor, justamente igual o brilho solar é simultaneamente uno com e diferente do planeta Sol. As energias atuam por combinação e permutação pela indicação do Senhor, e os agente atuantes, tais quais Brahma, Vishnu e Shiva, também são diferentes encarnações do Senhor. Em outras palavras, não existe nada além do Senhor, e ainda assim o Senhor é diferente de todas essas atividades manifestadas. Como isso acontece será explicado posteriormente. Verso 28 kréòasy amogha-saìkalpa Ó mestre de todas energias, por favor me diga filosoficamente tudo sobre elas. Você atua como uma aranha que cobre si mesma por sua própria energia, e Sua determinação é infalível. Iluminação de Srila Prabhupada: Pela energia inconcebível do Senhor, cada elemento criativo tem suas próprias potências, conhecidas como a potência do elemento, potência do conhecimento e potência de diferentes ações e reações. Por uma combinação dessas energias potenciais do Senhor acontece a manifestação da criação, manutenção e aniquilação no devido curso do tempo e por diferentes agentes do Senhor tais quais Brahma, Vishnu e Maheshvara. Brahma cria, Vishnu mantém, e o Senhor Shiva destrói. Todavia todos esses agentes e energias criativas são emanações do Senhor, e dessa forma não existe nada exceto o Senhor, ou uma única fonte suprema de diferentes diversidades. O exemplo exato é a aranha e a teia da aranha. A teia é criada pela aranha, e é mantida pela aranha, e logo que a aranha queira, a coisa toda acaba dentro da aranha. A aranha fica coberta dentro da teia. Se uma aranha insignificante é tão poderosa para agir de acordo com sua vontade, por que o Ser Supremo não pode agir por Sua vontade suprema na criação, manutenção e destruição das manifestações cósmicas? Pela graça do Senhor, um devoto igual Brahma, ou qualquer um na sua corrente de sucessão discipular, pode entender a Personalidade de Deus todo-poderoso eternamente entretido em Seus passatempos transcendentais na região de diferentes energias. Verso 29 bhagavac-chikñitam ahaà Por favor me diga para que eu possa ser ensinado na matéria pela instrução da Personalidade de Deus e assim possa atuar instrumentalmente para gerar seres vivos, sem ser condicionado por essas atividades. Iluminação de Srila Prabhupada: Brahmaji não quer se tornar um especulador dependente da força de seu conhecimento pessoal e condicionado para cativeiro material. Todos devem saber com consciência clara que ele é, na execução de todas atividades, um instrumento. Uma alma condicionada é instrumental nas mãos da energia externa, guna-mayi maya, ou energia ilusória do Senhor, e no estágio liberado o ser vivo é instrumental para a vontade da Personalidade de Deus diretamente. Ser instrumental para a vontade do Senhor é a posição de constituição natural do ser vivo, enquanto ser um instrumental nas mãos da energia ilusória do Senhor é cativeiro material para o ser vivo. Nesse estado condicionado, o ser vivo especula sobre a Verdade Absoluta e Suas diferentes atividades. Porém no estágio incondicionado o ser vivo diretamente recebe conhecimento do Senhor, e uma alma liberada assim age impecavelmente, sem nenhum hábito especulativo. O Bhagavad-gita (10.10-11) confirma enfaticamente que os devotos puros, que estão constantemente dedicados no serviço amoroso transcendental do Senhor, são aconselhados diretamente pelo Senhor, tanto que o devoto inabalavelmente faz progresso no caminho do lar, de volta ao Supremo. Devotos puros do Senhor por isso não são orgulhosos de seu progresso definitivo, enquanto o não devoto especulador está na escuridão da energia ilusória e é muito orgulhoso de seu conhecimento enganoso baseado em especulação sem nenhum caminho definitivo. O Senhor Brahma queria ser salvo da queda do orgulho, embora ele foi empossado na posição mais exaltada dentro do universo. Verso 30 yävat sakhä sakhyur iveça te kåtaù Ó meu Senhor, o não nascido, Você fez o aperto de mãos comigo justamente igual um amigo faz com um amigo (como se fossem de posição igual). Eu me dedicarei na criação de diferentes tipos de seres vivos, e estarei ocupado em Seu serviço. Eu não terei nenhuma perturbação, porém eu rogo para que tudo isso possa não gerar orgulho, como se eu fosse o Supremo. Iluminação de Srila Prabhupada: O Senhor Brahma está definitivamente situado no humor de amizade com o Senhor. Todo ser vivo é eternamente relacionado com a Personalidade de Deus em um dos cinco humores transcendentais diferentes, a saber, santa, dasya, sakhya, vatsalya e madhurya. Nós já discutimos esses cinco tipos de humores no relacionamento com a Personalidade de Deus. Aqui está exibido claramente que o Senhor Brahma é relacionado com a Personalidade de Deus no humor transcendental de amizade. Um devoto puro pode ser relacionado com o Senhor em qualquer um dos humores transcendentais, mesmo no humor paternal, porém o devoto do Senhor é sempre um servidor transcendental. Ninguém é igual ou maior do que o Senhor. Essa é a versão do Bhagavad-gita. Brahmaji, embora eternamente relacionado com o Senhor no humor transcendental de amizade, e embora encarregado do cargo mais exaltado de criar graduações diferentes de seres vivos, mesmo assim é consciente de sua posição, que ele não é o Supremo Senhor nem supremamente poderoso. É possível que alguma personalidade extremamente poderosa, algumas vezes possa exibir mais poder do que o Senhor Ele mesmo. Mesmo assim um devoto puro sabe que esse poder é um vibhuti delegado pelo Senhor, e um ser vivo poderoso delegado nunca é independente. Sri Hanumanji cruzou o Oceano Índico por saltar sobre o mar, e o Senhor Ramachandra engajou-Se em marchar sobre a ponte, mas isso não significa que Hanumanji era mais poderoso do que o Senhor. Às vezes o Senhor dá poderes extraordinários para os devotos mas o devoto sempre sabe que o poder pertence à Personalidade de Deus e que o devoto é apenas um instrumento. O devoto puro nunca fica enfatuado igual à classe de pessoas não devotas que falsamente pensam que são Deus. É espantoso ver como uma pessoa que é chutada pelas leis da energia ilusória do Senhor a cada passo poder pensar falsamente em se tornar uma com o Senhor. Essa mentalidade é a última armadilha da energia ilusória oferecida para a alma condicionada. A primeira ilusão é que ela quer se tornar o Senhor do mundo material por acumular riqueza e poder, mas quando fica frustrada nessa tentativa então quer se tornar uma com o Senhor. Assim tanto se tornar uma pessoa poderosa no mundo material quanto desejar se tornar una com o Senhor são diferentes armadilhas ilusórias de maya. Porque o Senhor Brahma é um devoto puro, embora seja a deidade dominante primeira dentro do mundo material e por isso capaz de fazer coisas maravilhosas, ele nunca teria, igual o não devoto com um pobre fundo de conhecimento, a audácia de pensar que se tornou uno com o Senhor. Pessoas com um pobre fundo de conhecimento devem tomar lições com Brahma quando estão enfatuadas com a noção falsa de se tornar Deus. De fato o Senhor Brahma não cria os seres vivos. No começo da criação ele recebe o poder para dar diferentes formas corpóreas para os seres vivos de acordo com seu trabalho durante o último milênio. O dever de Brahmaji é justamente despertar os seres vivos de seu sono e engajá-los em seu dever apropriado. As diferentes graduações de seres vivos não são criadas por Brahmaji pelos seus desejos caprichoso, mas ele é incumbido com a tarefa de dar aos seres vivos diferentes graduações de corpo para que possam trabalhar adequadamente. E mesmo assim ele é consciente de que é apenas instrumental, para que assim ele não possa pensar em si mesmo como o Senhor Supremo Todo-poderoso. Os devotos do Senhor estão engajados no dever específico oferecido pelo Senhor, e esses deveres são realizados com sucesso sem impedimento porque são ordenados pelo Senhor. O crédito do sucesso não vai para o realizador mas para o Senhor. Mas pessoas com um pobre fundo de conhecimento aceitam o crédito do sucesso em suas próprias contas e não dão nenhum crédito para o Senhor. Esse é o sintoma da classe de pessoas não devotas. Verso 31 çré-bhagavän uväca A Personalidade de Deus disse: Conhecimento sobre Mim como descrito nas escrituras é muito confidencial, e tem que ser realizado em conjunção com serviço devocional. A parafernália para esse processo está sendo explicada por Mim. Você deve aceitá-la cuidadosamente. Iluminação de Srila Prabhupada: O Senhor Brahma é o devoto mais elevado do Senhor dentro do universo, e por isso a Personalidade de Deus respondeu sobre suas quatro perguntas principais em quatro declarações importantes, que são conhecidas como o Bhagavatam original em quatro versos. Estas foram as perguntas de Brahma: (1) Quais são as formas do Senhor tanto na matéria quanto na transcendência? (2) Como as diferentes energias do Senhor funcionam? (3) Como o Senhor atua com Suas diferentes energias? (4) Como Brahma pode ser instruído para desempenhar o dever confiado a ele? O prelúdio para as respostas é este verso sob discussão, onde o Senhor informa Brahma que conhecimento sobre Ele, a Verdade Absoluta Suprema, como afirmado nas escrituras reveladas, é muito sutil e não pode ser entendido a menos que qualquer um seja auto-realizado pela graça do Senhor. O Senhor diz que Brahma pode tomar as respostas do modo como Ele as explica. Isso significa que conhecimento transcendental do Ser Supremo absoluto pode ser conhecido se for feito conhecível pelo Senhor Ele mesmo. Pela especulação mental dos maiores pensadores mundanos, a Verdade Absoluta não pode ser entendida. Os especuladores mentais podem alcançar até o padrão da realização do Brahman impessoal, mas, de fato, conhecimento completo da transcendência está além do conhecimento do Brahman impessoal. Assim é chamada a sabedoria confidencial suprema. De muitas almas liberadas, alguma pode se qualificar para conhecer a Personalidade de Deus. No Bhagavad-gita também é dito pelo próprio Senhor Ele mesmo que entre muitos milhares de pessoas, talvez uma possa conhecê-Lo como Ele é. Por isso, o conhecimento da Personalidade de Deus só pode ser obtido pelo serviço devocional unicamente. Rahasyam significa serviço devocional. O Senhor Krishna instruiu Arjuna no Bhagavad-gita porque Ele viu que Arjuna era um devoto e amigo. Sem essas qualificações ninguém pode entrar no mistério do Bhagavad-gita. Dessa forma, ninguém pode entender a Personalidade de Deus a menos que se torne devoto e desempenhe serviço devocional. Esse mistério é amor do Supremo. Aqui está a qualificação principal para conhecer o mistério da Personalidade de Deus. E para alcançar o estágio de amor transcendental do Supremo, os princípios reguladores do serviço devocional devem ser seguidos. Os princípios reguladores são chamados vidhi-bhakti, ou o serviço devocional do Senhor, e podem ser praticados por um devoto neófito com seus sentidos presentes. Esses princípios reguladores são baseados principalmente em ouvir e cantar sobre as glórias do Senhor. E esse ouvir e cantar sobre as glórias do Senhor pode se tornar possível na associação dos devotos unicamente. O Senhor Chaitanya por isso recomendou cinco princípios principais para obtenção da perfeição no serviço devocional do Senhor. O primeiro é a associação com devotos (ouvir); segundo é cantar as glórias do Senhor; terceiro, ouvir Srimad Bhagavatam do devoto puro; quarto, residir num lugar sagrado conectado com o Senhor; e quinto, adorar a Deidade do Senhor com devoção. Essas regras e regulamentos são partes do serviço devocional. Dessa forma, como solicitado pelo Senhor Brahma, a Personalidade de Deus explicará tudo sobre as quatro perguntas feitas por Brahma, e outras também que são partes e parcelas das mesmas questões. Verso 32 yävän ahaà yathä-bhävo Tudo de Mim, Minha forma eterna de fato e Minha existência transcendental, cor, qualidades e atividades - que tudo desperte dentro de você pela realização factual, por Minha misericórdia sem causa. Iluminação de Srila Prabhupada: O segredo do sucesso em entender as complexidades do conhecimento da Verdade Absoluta, a Personalidade de Deus, é a misericórdia sem causa do Senhor. Mesmo no mundo material, o pai de muitos filhos revela o segredo de sua posição para seus filhos de estimação. O pai revela a confidência para o filho o qual ele acha que é digno. Um homem importante na ordem social pode ser conhecido por sua misericórdia unicamente. Similarmente, qualquer um tem que ser muito querido pelo Senhor a fim de conhecer o Senhor. O Senhor é ilimitado; ninguém pode conhecê-Lo completamente, porém o avanço de alguém no serviço amoroso transcendental do Senhor pode fazê-lo elegível para conhecer o Senhor. Aqui nós podemos ver que o Senhor está suficientemente satisfeito com Brahmaji, e por isso Ele oferece Sua misericórdia sem causa a ele para que Brahmaji possa ter a realização do Senhor de fato pela Sua misericórdia unicamente. Nos Vedas também está dito que uma pessoa não pode conhecer a Verdade Absoluta Personalidade de Deus simplesmente por mérito de educação mundana ou ginásticas intelectuais. Pode-se conhecer a Verdade Suprema se qualquer um tiver fé inabalável no mestre espiritual fidedigno e também no Senhor. Uma pessoa fiel assim, mesmo se for iletrada no sentido mundano, pode conhecer o Senhor automaticamente pela misericórdia do Senhor. No Bhagavad-gita também, é dito que o Senhor reserva o direito de não Se expor para qualquer um, e Ele Se mantém oculto para o descrente pela Sua potência yoga-maya. Para o fiel o Senhor Se revela em Sua forma, qualidade e passatempos. O Senhor não é sem forma, como concebido erroneamente pelo impersonalista, mas Sua forma não é igual a alguma que temos experiência. O Senhor revela Sua forma, até mesmo na medida da medição, para Seus devotos puros, e esse é o significado de yavan, como explicado por Srila Jiva Goswami, o maior erudito do Srimad Bhagavatam. O Senhor revela a natureza transcendental de Sua existência. Os argumentadores mundanos criam conceitos mundanos da forma do Senhor. Está dito nas escrituras reveladas que o Senhor não tem nenhuma forma mundana; por isso pessoas com um pobre fundo de conhecimento concluem que Ele deve ser sem forma. Eles não podem distinguir entre a forma mundana e a forma espiritual. De acordo com eles, sem uma forma mundana qualquer um deve ser sem forma. Essa conclusão também é mundana porque ausência de forma é o conceito oposto de forma. Negação do conceito mundano não estabelece um fato transcendental. No Brahma Samhita está dito que o Senhor tem uma forma transcendental e que Ele pode utilizar qualquer um dos Seus sentidos para qualquer propósito. Por exemplo, Ele pode comer com Seus olhos, e Ele pode ver com Sua perna. Essa é a diferença entre o corpo mundano e o corpo espiritual de sac-cid-ananda (Bs. 5.1). Um corpo espiritual não é sem forma; é um tipo diferente de corpo, o qual não podemos conceber com nossos sentidos mundanos presentes. Sem forma quer dizer desse modo desprovido de forma mundana, ou possuidor de um corpo espiritual sobre o qual o não devoto não pode ter nenhuma concepção pelo método especulativo. O Senhor revela para o devoto Suas variedades ilimitadas de corpos transcendentais, todos idênticos um com outro com diferentes tipos de aspectos corpóreos. Alguns dos corpos transcendentais do Senhor são escuros e alguns deles são claros. Alguns deles são avermelhados, e alguns deles são amarelados. Alguns deles têm quatro mãos e alguns deles têm duas mãos. Alguns deles são como o peixe, e alguns deles são como o leão. Todos esses diferentes corpos transcendentais do Senhor, sem nenhuma categoria diferencial, são revelados para os devotos do Senhor pela misericórdia do Senhor, e assim os argumentos falsos dos impersonalistas que alegam a ausência de forma da Verdade Suprema não agradam um devoto do Senhor, mesmo embora esse devoto possa não ser muito avançado no serviço devocional. O Senhor tem números ilimitados de qualidades transcendentais, e uma delas é Sua afeição pelos Seus devotos imaculados. Na história do mundo mundano nós podemos apreciar Suas qualidades transcendentais. O Senhor Se encarna Ele mesmo para a proteção de Seus devotos e para a aniquilação dos infiéis. Suas atividades são em relação com Seus devotos. Srimad Bhagavatam está cheio dessas atividades do Senhor em relação com Seus devotos, e os não devotos não têm nenhum conhecimento desses passatempos. O Senhor levantou a Colina Govardhana quando Ele tinha apenas sete anos de idade e protegeu Seus devotos puros de Vrindavana da fúria de Indra, que tinha inundado o local com chuva. Agora esse levantamento da Colina Govardhana por um menino de sete anos de idade pode ser inacreditável para o infiel, mas para os devotos é absolutamente acreditável. O devoto acredita na potência todo-poderosa do Senhor, enquanto o infiel diz que o Senhor é todo-poderoso mas não acredita nisso. Tais pessoas com um pobre fundo de conhecimento não sabem que o Senhor é o Senhor eternamente e que ninguém pode se tornar o Senhor por meditação durante milhões de anos ou por especulação mental por bilhões de anos. A interpretação impessoal dos argumentadores mundanos é completamente refutada neste verso porque está claramente afirmado aqui que o Supremo Senhor tem Suas qualidades, forma, passatempos e tudo que uma pessoa tem. Todas essas descrições da natureza transcendental da Personalidade de Deus são realizações factuais pelo devoto do Senhor, e pela misericórdia sem causa do Senhor elas se tornam reveladas para Seu devoto puro, e para ninguém mais. Verso 33 aham eväsam evägre Brahma, sou Eu, a Personalidade de Deus, o qual existia antes da criação, quando não havia nada além de Mim. Nem existia a natureza material a causa desta criação. Isto que você vê agora também sou Eu, a Personalidade de Deus, e depois da aniquilação o que permanece também serei Eu, a Personalidade de Deus. Iluminação de Srila Prabhupada: Devemos notar muito cuidadosamente que a Personalidade de Deus fala com o Senhor Brahma e especifica com grande ênfase Ele próprio, e indica que é Ele, a Personalidade de Deus, que existia antes da criação, e é unicamente Ele que mantém a criação, e é Ele unicamente que permanece depois da aniquilação da criação. Brahma também é uma criação do Supremo Senhor. O impersonalista apresenta a teoria da unidade no sentido de que Brahma, por ser também o mesmo princípio de "Eu" porque ele é uma emanação do Eu, a Verdade Absoluta, é idêntico com o Senhor, o princípio de Eu, e que assim dessa forma não existe nada além do princípio de Eu, como explicado neste verso. Por aceitar o argumento do impersonalista, deve-se admitir que o Senhor é o Eu criador e que o Brahma é o Eu criado. Por isso existe uma diferença entre os dois "Eu's" a saber, o Eu predominante e o Eu predominado. Assim ainda existem dois Eu's, mesmo por aceitar o argumento do impersonalista. Porém devemos notar cuidadosamente que esses dois Eu's são aceitos na literatura Védica (Kathopanishad) no sentido de qualidade. O Kathopanishad diz: nityo nityänäà cetanaç cetanänäm O "Eu" criador e o "Eu" criado são ambos aceitos nos Vedas como qualitativamente unos porque ambos são nityas e cetanas. Todavia o "Eu" singular é o "Eu" criador, os "Eu's" criados são de número plural porque existem muitos "Eu's" iguais Brahma e aqueles gerados por Brahma. É a verdade simples. O pai cria ou gera um filho, e o filho também cria muitos outros filhos, e todos eles podem ser unos como seres humanos, mas ao mesmo tempo a partir do pai, o filho e os netos são todos diferentes. O filho não pode tomar o lugar do pai, nem podem os netos. Simultaneamente o pai, o filho e o neto são unos e diferentes também. Como seres humanos eles são unos, porém como parentes eles são diferentes. Assim as relatividades do criador e o criado ou o predominante e o predominado foram diferenciadas nos Vedas por dizer que o "Eu" predominante é o alimentador dos "Eu's" predominados, e por isso existe uma vasta diferença entre os dois princípios de "Eu". Em outro aspecto deste verso, ninguém pode negar as personalidades de ambos o Senhor e Brahma. Por isso na questão fundamental o predominador e predominado são pessoas. Essa conclusão refuta a conclusão do impersonalista de que na questão fundamental tudo é impessoal. Esse aspecto impessoal enfatizado pela escola impersonalista menos inteligente é refutada por indicar que o "Eu" predominante é a Verdade Absoluta e que Ele é uma pessoa. O "Eu" predominado, Brahma, também é uma pessoa, mas ele não é o Absoluto. Para realização do próprio eu em psicologia espiritual pode ser conveniente assumir-se como igual ao mesmo princípio da Verdade Absoluta, porém sempre existe a diferença entre o predominante e o predominado, como está indicado claramente neste verso, que é mal utilizado grosseiramente pelos impersonalistas. Brahma está de fato vendo face a face seu Senhor predominante, que existe em Sua forma eterna transcendental, mesmo depois da aniquilação da criação material. A forma do Senhor vista por Brahma, existia antes da criação de Brahma, e a manifestação material com todos seus ingredientes e agentes da criação material também são expansões energéticas do Senhor, e antes da exibição da energia do Senhor chegar ao fechamento, o que permanece é a mesma Personalidade de Deus. Por isso a forma do Senhor existe em todas circunstâncias da criação, manutenção e aniquilação. Os hinos Védicos confirmam esse fato na declaração vasudeva va idam agra asin na brahma na ca sankara eko narayana asin na brahma nesana, etc.. Antes da criação não existia ninguém exceto Vasudeva. Não havia nem Brahma nem Shankara. Unicamente Narayana estava lá e ninguém mais, nem Brahma nem Ishana. Sripada Shankaracharya também confirma em seu comentário do Bhagavad-gita que Narayana, ou a Personalidade de Deus, é transcendental a toda criação, mas que a criação inteira é o produto de avyakta. Por isso a diferença entre o criado e o criador está sempre aí, embora ambos o criador e criado sejam da mesma qualidade. O outro aspecto da declaração é que a verdade suprema é Bhagavan, ou a Personalidade de Deus. A Personalidade de Deus e Seu reino já foram explicados. O reino do Supremo não é vazio como concebido pelos impersonalistas. Os planetas Vaikuntha são cheios de variedades transcendentais, inclusive os habitantes com quatro mãos desses planetas, com grande opulência de riqueza e prosperidade, e existem aeroplanos e outras amenidades requeridas para personalidades de alta graduação. Dessa forma a Personalidade de Deus existe antes da criação, e Ele existe com toda variedade transcendental nos Vaikunthalokas. Os Vaikunthalokas, também aceitos no Bhagavad-gita como da natureza sanatana, não são aniquilados mesmo depois da aniquilação do cosmos manifestado. Esses planetas transcendentais são de uma natureza diferente todos juntos, e essa natureza não é sujeita às regras e regulamentos da criação, manutenção ou aniquilação materiais. A existência da Personalidade de Deus implica a existência dos Vaikunthalokas, do mesmo modo que a existência de um rei implica a existência de um reino. Em vários lugares do Srimad Bhagavatam e em outras escrituras sagradas a existência da Personalidade de Deus é mencionada. Por exemplo, no Srimad Bhagavatam (2.8.10), Maharaja Parikshit pergunta: sa cäpi yatra puruño "Como a Pessoa Suprema, a causa da criação, manutenção e aniquilação, que é sempre livre da influência da energia ilusória e é o controlador da mesma, está situado no coração de todos"? Similarmente também há uma pergunta de Vidura: tattvänäà bhagavaàs teñäà (Bhag. 3.7.37) Shridhara Swami explica isso em suas notas: "Durante a aniquilação da criação, quem serve o Senhor deitado sobre Shesha, etc.". Isso significa que o Senhor transcendental com tudo Seu nome, fama, qualidade e parafernália existe eternamente. A mesma confirmação também está no Kashi-khanda do Skanda Purana em conexão com dhruva-carita. Lá está dito: na cyavante 'pi yad-bhaktä Mesmo os devotos da Personalidade de Deus não são aniquilados durante o período da aniquilação inteira do mundo material, o que dizer do Senhor Ele mesmo. O Senhor é sempre existente em todos os três estágios de mudança material. O impersonalista alega nenhuma atividade no Supremo, mas nesta discussão entre Brahma e a Suprema Personalidade de Deus o Senhor também é dito como possuidor de atividades também, do mesmo modo que Ele tem Sua forma e qualidade. As atividades de Brahma e outros semideuses durante a manutenção da criação devem ser entendidas como atividades do Senhor. O rei, ou o chefe executivo de um estado, pode não ser visto nos gabinetes governamentais, porque ele pode estar entretido com os confortos reais. Mesmo assim deve ser entendido que tudo é feito sob sua direção e tudo está sob seu comando. A Personalidade de Deus nunca é sem forma. No mundo material Ele pode não ser visível em Sua forma pessoal para a classe de pessoas menos inteligentes, e por isso às vezes Ele pode ser chamado de sem forma. Porém na realidade Ele está sempre em Sua forma eterna em Seus planetas Vaikuntha e também em outros planetas dos universos como encarnações diferentes. O exemplo do Sol é muito apropriado nessa conexão. O Sol à noite pode não ser visível para os olhos de pessoas dentro da escuridão, porém o Sol é visível onde quer que ele tenha nascido. Porque o Sol não é visível para os olhos dos habitantes de uma parte particular da Terra não significa que o Sol não tem forma. No Brihad-aranyaka Upanishad (1.4.1) está o hino atmaivedam agra asit purusa-vidhah. Esse mantra indica a Suprema Personalidade de Deus (Krishna) mesmo antes do aparecimento da encarnação purusa. No Bhagavad-gita (15.18) é dito que o Senhor Krishna é Purushottama porque Ele é o purusa supremo, transcendental mesmo para o purusa-aksara e o purusa-ksara. O aksara-purusa, ou o Maha Vishnu, lança Seu olhar sobre prakrti, ou natureza material, mas o Purushottama existia mesmo antes disso. O Brihad-aranyaka Upanishad assim confirma a declaração do Bhagavad-gita de que o Senhor Krishna é a Pessoa Suprema (Purushottama). Em alguns dos Vedas também é dito que no começo unicamente o Brahman impessoal existia. Entretanto, de acordo com este verso, o Brahman impessoal, que é a refulgência brilhante do corpo do Supremo Senhor, pode ser chamado de a causa imediata, porém a causa de todas causas, ou a causa remota, é a Suprema Personalidade de Deus. O aspecto impessoal do Senhor é existente no mundo material porque pelos sentidos materiais ou olhos materiais o Senhor não pode ser visto ou percebido. Qualquer um precisa espiritualizar os sentidos antes que possa esperar ver ou perceber o Supremo Senhor. Mas Ele está sempre entretido em Sua capacidade pessoal, e Ele é eternamente visível para os habitantes de Vaikunthaloka, olho no olho. Por isso Ele é materialmente impessoal, igual o chefe executivo do estado possa ser impessoal nos gabinetes governamentais, embora ele não seja impessoal na casa do governo. Similarmente, o Senhor não é impessoal em Sua morada, que é sempre nirasta-kuhakam, como está afirmado no próprio começo do Bhagavatam. Por isso ambos os aspectos impessoal e pessoal do Senhor são aceitáveis, como mencionado nas escrituras reveladas. Essa Personalidade de Deus é explicada muito enfaticamente no Bhagavad-gita em conexão com o verso brahmano hi pratisthaham (Bg. 14.27). Assim em todos caminhos a parte confidencial do conhecimento espiritual é realização da Personalidade de Deus, e não Seu aspecto Brahman impessoal. Qualquer um deve dessa forma ter seu objetivo final de realização não no aspecto impessoal mas no aspecto pessoal da Verdade Absoluta. O exemplo do céu dentro do pote e o céu fora do pote pode ser útil para o estudante para sua realização da qualidade todo-penetrante da consciência cósmica da Verdade Absoluta. Porém isso não significa que a parte e parcela do Senhor se torna o Supremo por alegação falsa. Isso significa unicamente que a alma condicionada é uma vítima da energia ilusória na sua última armadilha. Alegar ser uno com a consciência cósmica do Senhor é a última armadilha armada pela energia ilusória, ou daivi maya. Mesmo na existência impessoal do Senhor, do modo como é na criação material, deve-se aspirar pela realização pessoal do Senhor, e esse é o significado de pascad aham yad etac ca yo 'vasisyeta so 'smy aham. Brahmaji também aceitou a mesma verdade quando instruía Narada. Ele disse: so 'yaà te 'bhihitas täta Não existe nenhuma outra causa de todas causas além da Suprema Personalidade de Deus, Hari. Por isso este verso aham eva nunca indica nada mais além do que o Supremo Senhor, e deve-se por isso seguir o caminho do Brahma-sampradaya, ou o caminho de Brahma para Narada, para Vyasadeva etc., e faça disso um objetivo de vida que é realizar a Suprema Personalidade de Deus, Hari, ou Senhor Krishna. Essa instrução muito confidencial para os devotos puros do Senhor também foi dada a Arjuna e para Brahma no início da criação. Os semideuses tais quais Brahma, Vishnu, Maheshvara, Indra, Chandra e Varuna são indubitavelmente diferentes formas do Senhor para execução de diferentes funções; os diferentes ingredientes elementares da criação material, e também as energias múltiplas, também devem ser da mesma Personalidade de Deus, mas a raiz de todos eles é a Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna. Deve-se ficar apegado à raiz de tudo do que confuso pelos ramos e folhas. Essa é a instrução dada neste verso. Verso 34 åte 'rthaà yat pratéyeta Ó Brahma, tudo que parece ser de algum valor, se for sem relação Comigo, não tem nenhuma realidade. Saiba que isso é Minha energia ilusória, aquele reflexo que parece estar na escuridão. Iluminação de Srila Prabhupada: No verso prévio já foi concluído que em qualquer estágio da manifestação cósmica - seu aparecimento, seu crescimento, suas interações de energias diferentes, sua deterioração e seu desaparecimento - tudo tem sua relação básica com a existência da Personalidade de Deus. E dessa forma, sempre que coisas são aceitas como reais sem estarem relacionadas com o Senhor, esse conceito é chamado um produto da energia ilusória do Senhor. Porque nada pode existir sem o Senhor, deve-se saber que a energia ilusória também é uma energia do Senhor. A conclusão certa de encaixar tudo em relação com o Senhor se chama yoga-maya, ou a energia da união, e o conceito errado de destacar uma coisa da sua relação com o Senhor se chama daivi maya do Senhor, ou maha-maya. Ambas as mayas também têm conexões com o Senhor porque nada pode existir sem estar relacionado a Ele. Por isso, o conceito errado de destacar relações do Senhor não é falso mas ilusório. Conceber erroneamente uma coisa por outra se chama ilusão. Por exemplo, aceitar uma corda como uma serpente é ilusão, mas a corda não é falsa. A corda, do modo como existe na frente da pessoa iludida, não é falsa de jeito nenhum, mas a aceitação é ilusória. Por isso o conceito errado de aceitar esta manifestação material como divorciada da energia do Senhor é ilusão, mas não é falso. E esse conceito ilusório se chama o reflexo da realidade dentro da escuridão da ignorância. Qualquer coisa que parece como aparentemente não ter sido "produzida da Minha energia" se chama maya. O conceito de que o ser vivo é sem forma ou que o Supremo Senhor é sem forma também é ilusão. No Bhagavad-gita (2.12) foi dito pelo Senhor no meio do campo de batalha que os heróis situados na frente de Arjuna, o próprio Arjuna, e até mesmo o Senhor existiam antes, e eram existentes no Campo de batalha em Kurukshetra, e todos continuariam a ser personalidades individuais no futuro também, mesmo depois da aniquilação do corpo presente e mesmo depois de serem liberados do cativeiro da existência material. Em todas circunstâncias, o Senhor e os seres vivos são personalidades individuais, e as características pessoais de ambos o Senhor e seres vivos nunca são abolidas; unicamente a influência da energia ilusória, o reflexo da luz na escuridão, pode, pela misericórdia do Senhor, ser removida. No mundo material, a luz do Sol também não é independente, nem é a da Lua. A verdadeira fonte da luz é o brahmajyoti, o qual difunde luz do corpo transcendental do Senhor, e a mesma luz é refletida em variedades de luz: a luz do Sol, a luz da Lua, a luz do fogo, ou a luz da eletricidade. Por isso a identidade do eu como desconectada do Eu Supremo, o Senhor, também é uma ilusão, e a alegação falsa "eu sou o Supremo" é a última armadilha ilusória da mesma maya, ou a energia externa do Senhor. O Vedanta Sutra no seu próprio começo afirma que tudo é nascido do Supremo, e assim, como explicado no verso prévio, todos seres vivos individuais são nascidos da energia do ser vivo supremo, a Personalidade de Deus. O próprio Brahma nasceu da energia do Senhor, e todos outros seres vivos são nascidos da energia do Senhor através da agência de Brahma; nenhum deles tem nenhuma existência sem estar encaixado com o Supremo Senhor. A independência do ser vivo individual não é verdadeira independência, mas é justamente o reflexo da independência existente no Ser Supremo, o Senhor. A alegação falsa da independência suprema pela alma condicionada é ilusão, e essa conclusão é admitida neste verso. Pessoas com um pobre fundo de conhecimento ficam iludidas, e por isso os assim chamados cientistas, fisiologistas, filósofos empíricos etc., ficam deslumbrados pelo reflexo brilhante do Sol, Lua, eletricidade etc., e negam a existência do Supremo Senhor, e apresentam teorias e especulações diferentes sobre a criação, manutenção e aniquilação de tudo material. O médico pode negar a existência da alma na construção corpórea psicológica de uma pessoa individual, mas ele não pode dar vida para um corpo morto, mesmo embora todos os mecanismos do corpo existam mesmo depois da morte. O psicólogo faz um estudo sério das condições psicológicas do cérebro como se a massa cerebral fosse a máquina de funcionamento da mente, mas no corpo morto o psicólogo não pode trazer de volta o funcionamento da mente. Esses estudos científicos da manifestação cósmica ou a construção corpórea independente do Supremo Senhor são diferentes ginásticas intelectuais reflexivas apenas, mas no fim são todas ilusões e nada mais. Todo esse tal de avanço da ciência e conhecimento no contexto presente da civilização material é apenas uma ação da influência de cobertura da energia ilusória. A energia ilusória tem duas fases de existência, a saber, a influência de cobertura e a influência de arremesso. Pela influência de arremesso a energia ilusória joga os seres vivos dentro da escuridão da ignorância, e pela influência de cobertura ela cobre os olhos de uma pessoa com um pobre fundo de conhecimento sobre a existência da Pessoa Suprema que iluminou o ser vivo individual supremo, Brahma. A identidade de Brahma com o Supremo Senhor nunca foi alegada aqui, e por isso uma alegação estúpida dessa pela pessoa com um pobre fundo de conhecimento é outra exibição da energia ilusória do Senhor. O Senhor diz no Bhagavad-gita (16.18-20) que pessoas demoníacas que negam a existência do Senhor são atiradas mais e mais dentro da escuridão da ignorância, e assim tais pessoas demoníacas transmigram vida após vida sem nenhum conhecimento da Suprema Personalidade de Deus. A pessoa sensata, entretanto, é iluminada na sucessão discipular de Brahmaji, que foi instruído pessoalmente pelo Senhor, ou na sucessão discipular de Arjuna, que foi instruído pessoalmente pelo Senhor no Bhagavad-gita. Ele aceita esta declaração do Senhor: ahaà sarvasya prabhavo (Bg. 10.8) O Senhor é a fonte original de todas emanações, e tudo que é criado, mantido e aniquilado existe pela energia do Senhor. A pessoa sensata que sabe disso é realmente sábia, e por isso ela se torna um devoto puro do Senhor, dedicado no serviço amoroso transcendental do Senhor. Embora a energia refletora do Senhor exiba várias ilusões para os olhos das pessoas com um pobre fundo de conhecimento, a pessoa sensata sabe claramente que o Senhor pode agir, mesmo de longe, muito além da nossa visão, por Suas energias diferentes, justamente igual o fogo pode difundir calor e luz de um lugar distante. Na ciência médica dos sábios antigos, conhecida como o Ayur-veda, há aceitação definitiva da supremacia do Senhor nas seguintes palavras: jagad-yoner anicchasya acetanäpi caitanya- Existe uma Pessoa Suprema que é o progenitor desta manifestação cósmica e cuja energia atua como prakrti, ou a natureza material, brilhante igual um reflexo. Por essa ação ilusória de prakriti, mesmo matéria morta é causada para mover pela cooperação da energia viva do Senhor, e o mundo material parece igual uma apresentação dramática para os olhos ignorantes. A pessoa ignorante, assim, pode até ser um cientista ou psicólogo numa peça teatral de prakrti, enquanto a pessoa sensata conhece prakrti como a energia ilusória do Senhor. Por uma conclusão assim, como confirmado no Bhagavad-gita, está claro que os seres vivos também são uma exibição da energia superior do Senhor (para prakriti), justamente igual o mundo material é uma exibição da energia inferior do Senhor (apara prakrti). A energia superior do Senhor não pode ser tão boa quanto o Senhor, embora haja muito pouca diferença entre a energia e o possuidor da energia, ou o fogo e o calor. O fogo possui calor, porém calor não é fogo. Essa coisa simples não pode ser entendida pela pessoa com um pobre fundo de conhecimento que alega falsamente que fogo e calor são o mesmo. Essa energia do fogo (chamada calor) é explicada aqui como um reflexo, e não fogo diretamente. Por isso a energia viva representada pelos seres vivos é o reflexo do Senhor, e nunca o Senhor Ele mesmo. Por ser o reflexo do Senhor, a existência do ser vivo é dependente do Supremo Senhor, que é a luz original. Esta energia material pode ser comparada à escuridão, porque na realidade é escuridão, e as atividades dos seres vivos dentro da escuridão são reflexos da luz original. O Senhor deve ser entendido pelo contexto deste verso. Não dependência de ambas as energias do Senhor é explicada como maya, ou ilusão. Ninguém pode realizar uma solução da escuridão da ignorância simplesmente pelo reflexo da luz. Similarmente, ninguém pode sair da existência material simplesmente pela luz refletida da pessoa comum; deve-se receber a luz da luz original em si mesma. O reflexo da luz solar na escuridão é incapaz de expulsar a escuridão, porém a luz solar fora do reflexo pode expulsar a escuridão completamente. Na escuridão ninguém pode ver as coisas dentro de um quarto. Por isso a pessoa na escuridão tem medo de serpentes e escorpiões, embora possa não ter essas coisas. Porém na luz as coisas dentro do quarto podem ser vistas claramente, e o medo de serpentes e escorpiões é removido imediatamente. Por isso deve-se abrigar na luz do Senhor, tais quais no Bhagavad-gita ou o Srimad Bhagavatam, e não as personalidades refletidas que não têm nenhum contato com o Senhor. Ninguém deve ouvir Bhagavad-gita ou Srimad Bhagavatam de uma pessoa que não acredita na existência do Senhor. Uma pessoa assim já está arruinada, e qualquer associação com uma pessoa arruinada assim faz o associado também arruinado. De acordo com o Padma Purana, dentro do âmbito material existem inumeráveis universos materiais, e todos eles são cheios de escuridão, Qualquer ser vivo, a começar pelos Brahmas (existem inumeráveis Brahmas em inumeráveis universos) até a formiga insignificante, todos são nascidos na escuridão, e requerem luz factual do Senhor para vê-Lo diretamente, justamente igual o Sol só pode ser visto pela luz direta do Sol. Nenhuma lâmpada ou luminária feita por humano, por mais poderosa que possa ser, não pode ajudar alguém a ver o Sol. O Sol se revela ele mesmo. Por isso a ação de diferentes energias do Senhor, ou a Personalidade de Deus Ele mesmo, pode ser realizada pela luz manifestada pela misericórdia sem causa do Senhor. Os impersonalistas dizem que Deus não pode ser visto. Deus pode ser visto pela luz de Deus e não por especulações feitas por humano. Aqui essa luz é especificamente mencionada como vidyat, a qual é uma ordem dada pelo Senhor para Brahma. Essa ordem direta do Senhor é uma manifestação de Sua energia interna, e essa energia particular é o meio para ver o Senhor face a face. Não somente Brahma mas qualquer um que possa ser agraciado pelo Senhor para ver essa energia interna com misericórdia direta também pode realizar a Personalidade de Deus sem nenhuma especulação mental.
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Continua em breve...
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Desde 18/julho/2000 (Última Edição: 08-mar-2026 ) |